O São Paulo instituiu uma comissão de conselheiros para debater reforma no estatuto do clube, visando abertura a investimentos externos, separação entre futebol e clube social, e modernização de processos eleitorais. A pauta formal será definida após a primeira reunião do grupo, que tem prazo até 15 de maio para apresentar parecer ao Conselho Deliberativo.
As discussões ganharam impulso na gestão de Júlio Casares, que antes de renunciar consultou aliados, incluindo o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior, responsável pela criação da comissão. Duas propostas iniciais dele eram o fim do quórum qualificado (atualmente superior a dois terços dos votos para aprovar SAF) e a própria separação do futebol do social.
Outros temas incluem profissionalização da gestão: contratação de especialistas para o futebol, evitando que conselheiros sem qualificação ocupem cargos executivos. No âmbito eleitoral, debate-se voto direto para presidente (hoje definido por conselheiros eleitos pelos sócios), inclusão do sócio-torcedor e votação eletrônica.
Mudanças mais estruturais em análise são a reformulação do Conselho de Administração, que assessora a diretoria eleita, e o fim do Conselho Consultivo, composto por presidentes e ex-presidentes dos conselhos de Administração e Deliberativo. Esse colegiado emite pareceres sem poder decisório, como o contra o impeachment de Casares, aprovado mesmo assim.
Comissão presidida por desembargador inclui ex-presidente da CBF e cotado para eleição
A comissão conta com sete conselheiros, presidida por José Augusto Genofre Martins, vitalício e desembargador do TJ-SP, com histórico no acompanhamento financeiro do Tricolor. Integra o grupo Rogério Caboclo, conselheiro vitalício e ex-diretor financeiro do São Paulo. Ele presidiu a CBF após eleição de 2018, foi afastado por denúncia de assédio em 2021 e declarado inocente pelo STF em 2023, com baixa no último processo.
Outros membros: Vinicius Pinotti, cotado para eleição presidencial no fim do ano; Eduardo Alfano Vieira, Ruy Mauricio Tranqulli Barbosa, Orlando Rossini Junior e Marcelo Rayes. Caboclo não vincula-se a grupos políticos internos do clube.
O conjunto de propostas pode ou não avançar, dependendo do debate, mas reflete busca por governança moderna em momento de transição para o São Paulo.
Fonte: Estadão.



