O Comercial de Ribeirão Preto vai incluir o ex-atacante Ricardo Oliveira em sua estrutura de gestão. O ex-jogador da Seleção Brasileira assumirá a área de Relações Institucionais e Internacionais do clube, com a missão de aproximar a instituição de representantes do mercado do futebol no Brasil e no exterior e de buscar oportunidades ligadas ao projeto de gestão.
A oficialização está prevista para um evento na noite desta quinta-feira, no Estádio Palma Travassos, casa do Comercial. O nome do ex-atacante já circulava nos bastidores do clube durante as prévias de votação da SAF, mas, até então, não havia acordo fechado. Ele trabalhará ao lado de Eliel Fraga e Caian Oliveira, gestores da Alliance Football, empresa que conduz as tratativas para implantar o novo modelo de administração no clube.
O Comercial é um clube centenário de Ribeirão Preto que disputa a Série A4 do Campeonato Paulista e está em processo final de mudança de sua gestão esportiva para uma Sociedade Anônima do Futebol. A atribuição de Ricardo Oliveira será a de construir pontes com diferentes agentes do mercado esportivo — função que, na prática, transforma a rede de contatos acumulada em duas décadas de carreira em ativo institucional do clube.
90% para a empresa, 10% para a associação e uma auditoria em curso
O desenho do negócio já foi definido em linhas gerais: o acordo prevê a aquisição de 90% das ações pela Alliance Football, enquanto a associação Comercial Futebol Clube manterá os 10% restantes. O projeto foi aprovado pelo Conselho Deliberativo do clube no fim de setembro e, desde então, avança em etapas técnicas.
O processo está na fase de diligência prévia, conhecida como due diligence. Durante um período de até 60 dias a partir da aprovação, uma equipe especializada faz uma varredura completa nas finanças da instituição para apurar o tamanho real das dívidas. É essa auditoria que define o preço final e as condições do negócio — sem ela, o comprador não sabe o que está assumindo, e o clube não sabe quanto do passado ficará sob sua responsabilidade.
Concluída a análise, o contrato final será elaborado e encaminhado para validação judicial antes da transferência oficial das ações e da criação da nova empresa, o que deve ocorrer no início de 2027. A chegada de Ricardo Oliveira, portanto, acontece antes da existência formal da SAF: ele integra a estrutura do projeto, e não de uma sociedade já constituída.
Para o torcedor, essa distinção importa. O anúncio não significa que a transformação do Comercial em SAF esteja concluída — significa que o clube monta a equipe de articulação enquanto as contas ainda estão sendo auditadas. E o ex-atacante não terá atuação como jogador nem como integrante da comissão técnica; seu trabalho será concentrado nas relações institucionais. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre a duração do vínculo, a remuneração do ex-atleta ou eventuais investimentos associados à sua participação.
Trajetória como credencial e outras frentes anunciadas
A escolha tem lógica direta. Ricardo Oliveira acumulou passagens por Santos, São Paulo, Atlético-MG, Milan e Valencia, além de defender a Seleção Brasileira, com os títulos da Copa América de 2004 e da Copa das Confederações de 2005. Pelo Santos, teve duas passagens, em 2003 e entre 2015 e 2017; na segunda, foi artilheiro do Campeonato Brasileiro de 2015, com 20 gols, e marcou 71 gols em 141 jogos pelo clube.
É esse repertório de clubes e mercados que a diretoria do Comercial pretende converter em acesso. Um clube de Série A4 paulista raramente tem porte para manter uma estrutura própria de negociação internacional, e a interlocução com investidores, clubes e empresários costuma depender de quem já circulou por esses ambientes.
A mesma quinta-feira deve trazer outras duas movimentações na estrutura do clube: a oficialização do novo fornecedor de material esportivo, com a saída da Kappa, e a chegada do empresário Vinícius Diniz como consultor do projeto da SAF. Diniz já atuou na SAF do Athletic-MG e dará suporte ao Comercial com a experiência acumulada no futebol.
O conjunto das três frentes — articulação institucional, material esportivo e consultoria — aponta para um clube que organiza a casa antes de receber o novo controlador. É um movimento típico de transição: enquanto o dinheiro não chega, chegam as pessoas e os contratos que sustentarão a operação no primeiro ano da nova gestão.
Fonte: Gazeta Esportiva; CNN Brasil; ge.Globo; ESPN.



