Um levantamento sobre os clubes de formação dos jogadores consagrados com a Bola de Ouro, prêmio concedido pela revista France Football, coloca o Sporting como o segundo clube do mundo que mais formou ganhadores do troféu. São seis consagrações saídas das fileiras do clube português, atrás apenas do Barcelona.
As seis Bolas de Ouro do Sporting têm dois nomes: Luís Figo, vencedor em 2000, e Cristiano Ronaldo, eleito em 2008, 2013, 2014, 2016 e 2017. O Barcelona lidera o levantamento impulsionado pelas oito conquistas de Lionel Messi. Ao todo, o estudo mapeia 44 clubes onde foram moldados os vencedores do prêmio individual mais prestigiado do futebol mundial.
O ranking mede o clube formador, não o clube da consagração
A distinção é decisiva para entender o resultado. Quando se pensa nos ganhadores da Bola de Ouro, a associação imediata é com gigantes como Real Madrid, Manchester United, Juventus ou Milan — clubes onde os jogadores brilharam e receberam o troféu. O levantamento, porém, olha para trás: considera o clube onde cada um deu os primeiros pontapés, nos campos de terra batida e nas escolinhas de formação.
É por isso que potências financeiras modernas como PSG, Real Madrid e Manchester City não aparecem na lista. Não se trata de uma avaliação sobre poder de compra ou capacidade de atrair estrelas prontas, mas sobre a origem do jogador. Um clube pode ser palco das maiores conquistas do futebol mundial sem ter participado da formação de quem as conquistou.

Concentração em poucos clubes e um dado de orgulho para Portugal
O levantamento revela dois movimentos simultâneos. O primeiro é a concentração: todos os vencedores da Bola de Ouro foram moldados em 44 clubes, e apenas o Barcelona supera o Sporting no topo — uma concentração notável para um prêmio que se estende por décadas de história. O segundo é geográfico: um clube português ocupa a segunda posição em um ranking mundial, à frente de academias de países com estruturas muito mais caras.
O caso do Sporting ajuda a explicar por que a formação é tratada como ativo estratégico no futebol. Um clube que revela dois vencedores da Bola de Ouro constrói, ao mesmo tempo, valor esportivo e valor de mercado: os atletas formados internamente chegam ao profissional sem custo de transferência e podem ser vendidos por valores que financiam anos de operação. É o tipo de retorno que não aparece na tabela de classificação, mas aparece no balanço.
Para o leitor que acompanha a gestão de clubes, o dado tem consequência prática. Projetos de formação levam anos para dar resultado e raramente produzem retorno no mesmo mandato de quem os iniciou — o que explica, em parte, por que tantas academias são interrompidas antes de amadurecer. O levantamento mostra o outro lado da conta: quando a estrutura é mantida por tempo suficiente, o clube pode se tornar reconhecido mundialmente pela origem dos jogadores que revelou, e não apenas pelos títulos que conquistou.
Harry Kane leva a 70ª edição
A edição deste ano do prêmio foi para o atacante inglês Harry Kane, eleito o melhor jogador do mundo na cerimônia realizada em Londres. É a primeira vez que ele ganha a Bola de Ouro. Aos 33 anos, o centroavante do Bayern de Munique marcou 73 gols em 65 partidas, foi campeão alemão pelo clube e defendeu a Inglaterra na Copa do Mundo, terminando em terceiro lugar, com seis gols em sete jogos. Na mesma noite, ele já havia recebido o troféu Gerd Müller, de maior goleador da temporada, e foi premiado pelas mãos do brasileiro Ronaldo Fenômeno.

O pódio foi completado por Mbappé, do Real Madrid, em segundo, e Yamal, do Barcelona, em terceiro. Entre os brasileiros, o melhor colocado foi Vini Jr., do Real Madrid, na 17ª posição; Gabriel Magalhães, do Arsenal, ficou em 21º, e Marquinhos, do PSG, em 25º. O júri ainda elegeu Alexia Putellas como melhor jogadora, pela terceira vez, Unai Simón como melhor goleiro no Troféu Yashin, Yamal como melhor jovem no Troféu Kopa pelo terceiro ano seguido e Luis de la Fuente como melhor treinador. O PSG superou o Flamengo e foi eleito o clube do ano no futebol masculino, enquanto o Barcelona levou o prêmio no feminino. Saka, do Arsenal, recebeu o Prêmio Sócrates.
A votação segue três critérios, em ordem de importância: desempenho individual, caráter decisivo e impressionante; desempenhos coletivos e conquistas; e classe e fair play. O período avaliado vai de 3 de agosto de 2025 a 19 de julho de 2026, e todas as competições internacionais contam. O júri é formado por um jornalista especializado por país entre as 100 primeiras nações do ranking da Fifa — no feminino, o corte fica nos 50 primeiros.
O resultado reforça o argumento do levantamento de clubes formadores. A Argentina é o país mais vencedor da história do prêmio, com oito conquistas, todas de Messi. Alemanha, Holanda e Portugal aparecem em seguida, com sete títulos cada, e o Brasil soma cinco, com Ronaldo (1997 e 2002), Rivaldo (1999), Ronaldinho Gaúcho (2005) e Kaká (2007). Das sete Bolas de Ouro portuguesas, seis foram conquistadas por jogadores formados no Sporting — Figo e Cristiano Ronaldo. É a prova mais direta de que a formação, quando sustentada por tempo suficiente, não produz apenas atletas: coloca um país no topo do ranking histórico do futebol mundial.
Fonte: A Bola; SAPO; Dia de Jogo; ge.Globo.



