O Corinthians recebeu mais uma punição que o impede de registrar novos jogadores, a quarta em uma série que expõe a grave crise financeira do clube. Desta vez, a sanção foi aplicada pela Fifa em razão do não pagamento de uma dívida de € 800 mil (cerca de R$ 4,6 milhões) com o Midtjylland, da Dinamarca, referente à contratação do volante Charles. O negócio foi fechado em 2024, ainda na gestão do ex-presidente Augusto Melo, pelo valor total de € 1,6 milhão (aproximadamente R$ 9 milhões na cotação da época), dividido em três parcelas. O Corinthians quitou as duas primeiras, mas deixou de pagar a última, com vencimento em 15 de março de 2025.
O clube dinamarquês acionou a Fifa, que condenou o Corinthians a pagar € 1 milhão (cerca de R$ 6,25 milhões) — valor que já inclui a parcela em atraso e as penalidades previstas pelo descumprimento do contrato. A diretoria alvinegra recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS) para tentar reverter a decisão, mas o recurso foi rejeitado. Agora, apenas o Amazonas, um clube da região Norte, possui mais transfer bans ativos do que o Corinthians, com seis punições sofridas entre abril e junho deste ano. Além deles, outros oito clubes brasileiros têm transfer bans ativos na Fifa: São Paulo (desde julho de 2026), Santos (desde julho de 2026), Figueirense (desde junho de 2026), Ponte Preta (desde maio de 2026), CRB (desde maio de 2026), Atlético-GO (desde abril de 2026), Miramar-PB (desde setembro de 2025) e Colorado Atlético Clube-PR (desde janeiro de 2020).
Série de punições expõe a crise financeira e a incapacidade de pagamento do clube
O quarto transfer ban do Corinthians soma-se a três outras sanções que já estavam em vigor. A primeira foi aplicada pela Fifa por causa de uma dívida de US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 8 milhões) com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela compra do volante José Martínez. A segunda veio ainda neste mês de julho, também da Fifa, pelo não pagamento de multas disciplinares em três processos distintos envolvendo as negociações de José Martínez, Charles e Talles Magno, este contratado junto ao New York City FC. A terceira punição foi imposta pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão vinculado à CBF, que suspendeu o clube por seis meses após o atraso no pagamento de uma parcela de cerca de R$ 8 milhões de um acordo coletivo de R$ 76 milhões firmado em abril de 2025.
O cenário é agravado pela falta de uma solução financeira de curto prazo. O Corinthians não tem conseguido honrar compromissos assumidos em negociações passadas, acumulando débitos com clubes estrangeiros, multas disciplinares e acordos nacionais. A cada nova parcela em atraso, uma nova sanção surge, criando um ciclo que impede o departamento de futebol de registrar reforços e, ao mesmo tempo, dificulta a geração de receitas com novas negociações. A diretoria busca alternativas, incluindo a possível ajuda de patrocinadores para quitar pendências, mas não há prazo nem plano definido para a regularização total da situação.



