O Conselho Deliberativo do Santos retomou na noite desta quinta-feira (21) a reunião para discutir e votar o novo texto do Estatuto Social do clube, mas o encontro foi novamente marcado por um clima de forte tensão. Assim como ocorreu na última segunda-feira (18), torcedores protestaram em frente à Vila Belmiro com gritos de cobrança, bandeiras e fogos de artifício. Para evitar o contato com os manifestantes, parte dos conselheiros precisou entrar no estádio pelo vestiário, após a rua ser completamente interditada.
Os principais alvos das organizadas foram o presidente da Comissão do Estatuto, Celso Pires, criticado após ser flagrado dormindo enquanto acompanhava uma sessão de maneira virtual, e o conselheiro Eduardo Filetti, que criou polêmica ao declarar no encontro anterior que estava em posse de uma arma de fogo. O presidente do clube, Marcelo Teixeira, e seu filho, Marcelo Teixeira Filho, alvo de questionamentos por atuar no dia a dia da gestão mesmo sem possuir cargo administrativo oficial, também foram hostilizados. Sob a justificativa de cansaço, a reunião foi suspensa às 22h35 e só será retomada no próximo dia 28. O novo regimento possui 105 artigos para serem apreciados e votados.
Avanço da SAF e barreiras políticas no centro do debate
Convictos de que as emendas propostas prejudicam a renovação política do Santos e criam obstáculos para que novas lideranças concorram à presidência, torcedores e sócios têm pressionado o Conselho pela reprovação de pontos considerados cruciais. A torcida exige a manutenção da regra atual de três anos de associação para ter direito a voto nas eleições presidenciais e se opõe à exigência de mandatos prévios no próprio Conselho para quem quiser concorrer ao cargo de mandatário. Faixas reforçaram o protesto, e uma delas trazia a pergunta: “A quem interessa dificultar candidaturas?”
Durante a primeira etapa da reunião, no início da semana, foi debatido e aprovado pelo Conselho Deliberativo o capítulo relacionado à Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O texto aprovado amplia o limite de participação societária em eventual operação futura, permitindo percentual de até 80%, em substituição ao limite anterior de 49%. A aprovação do novo patamar para a SAF sinaliza que o Santos se prepara para atrair investidores em condições mais atrativas, em um movimento que acompanha a tendência de profissionalização do futebol brasileiro. As discussões sobre os demais artigos, no entanto, seguem travadas pela polarização política e pela desconfiança entre torcida, conselheiros e diretoria, em um processo que promete se estender até a próxima rodada de debates no fim do mês.



