O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres de Abreu Júnior, foi indiciado pela Polícia Civil pelo crime de falsidade ideológica. A conclusão consta do relatório final do inquérito, assinado pelo delegado Tiago Fernando Correia e encaminhado à Justiça e ao Ministério Público. O indiciamento é a conclusão da fase de inquérito, de natureza pré-processual — não se trata de condenação. Caberá ao Ministério Público decidir sobre a possível denúncia, e ao Judiciário julgar o caso. Olten nega as acusações nos autos do inquérito.
Segundo o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), que conduziu a investigação, Olten arquitetou um parecer atribuído ao Conselho Consultivo — órgão de ex-dirigentes conhecido como “Conselho dos Cardeais” — favorável a uma reforma do estatuto que abriria caminho para converter o clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A polícia sustenta que o texto foi redigido pelo advogado externo Guilherme Salutti, a pedido de Olten, e circulado para colher assinaturas do presidente do Consultivo, José Eduardo Mesquita Pimenta, e do secretário, Ives Gandra da Silva Martins. De acordo com a autoridade, não houve reunião, convocação ou ata sobre o tema.
O crime, segundo o relatório, está na afirmação de uma deliberação colegiada que nunca ocorreu. O advogado confirmou ter elaborado a minuta a pedido de Olten, e um terceiro conselheiro afirmou que o colegiado não se reuniu em dezembro de 2025. Para a polícia, o documento foi assinado por dois conselheiros e devolvido em cerca de duas horas e 21 minutos — ritmo considerado incompatível com a complexidade do tema. Depois, os dois signatários negaram por e-mail qualquer reunião formal, disseram que o texto refletia apenas conversas isoladas e renunciaram ao colegiado, gesto que o delegado interpreta como repúdio às assinaturas. As mensagens de WhatsApp entre o advogado e o investigado não foram recuperadas.
O relatório dá peso ao encadeamento das datas. Olten sustentou em depoimento à polícia que a manifestação do Consultivo era meramente opinativa e não vinculante, o que esvaziaria a relevância penal do caso, e preferiu classificar o documento como opinião, e não como parecer. Em relação à defesa apresentada, o delegado rebateu: o próprio Olten usou a palavra parecer no ofício de encaminhamento e admitiu que a mudança de quórum visava à transformação empresarial do clube. O inquérito segue para o Ministério Público, que decidirá se oferece denúncia. Se houver um processo, a defesa poderá apresentar argumentos e provas à Justiça.
Veja a nota oficial de Olten Ayres sobre o indiciamento:
Olten Ayres de Abreu Júnior recebe com tranquilidade a informação, divulgada pela imprensa, sobre seu indiciamento e aguarda o acesso integral ao relatório da autoridade policial para que sua defesa possa analisar seus fundamentos. O indiciamento constitui uma conclusão da fase policial e não representa denúncia do Ministério Público ou condenação.
Olten reafirma que não praticou falsidade ideológica nem obteve qualquer benefício pessoal ou político relacionado ao documento investigado. Durante todo o inquérito, prestou os esclarecimentos solicitados e colaborou com as autoridades.
Sua defesa adotará as providências cabíveis após conhecer integralmente o relatório e permanece confiante no esclarecimento dos fatos nas instâncias competentes.
Fonte: Estadão.



