O Paraná Clube entrou na Justiça para contestar o plano aprovado pelos credores em sua Recuperação Judicial (RJ), que inclui usar a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) como garantia de pagamento. A oposição do clube se intensificou após a desistência da NextPlay Capital Holding S/A, que havia apresentado proposta vinculante para adquirir a SAF.
Em pedido protocolado na última sexta-feira (28), o Tricolor solicitou o indeferimento do plano aprovado na Assembleia de Credores, realizado em 19 de novembro. O clube afirma que as condições impostas inviabilizam a venda da SAF e descarta qualquer hipótese de falência.
“Temos patrimônio que garante grande parte da dívida. Como recuperanda, toda a operação está em dia”, destacou o clube em nota. O Paraná Clube critica especialmente uma cláusula que mantém a SAF como garantia mesmo após uma venda, o que, segundo a diretoria, “não existe em nenhuma outra SAF do país”.
Disputa judicial e o futuro da SAF tricolor
O impasse se agravou porque o plano aprovado pelos credores prevê que a SAF possa ser leiloada sem liberação total da Recuperação Judicial. Para o Paraná Clube, isso abre brecha para uma “venda hostil”, em que um investidor poderia adquirir o clube sem compromisso com investimentos no futebol ou infraestrutura — apenas para aproveitar seus ativos imobiliários.
O presidente do Comitê dos Credores, Jorge Casagrande, defende o plano e rebate as críticas, afirmando que o grupo “mantém-se aberto ao diálogo”, mas considera a nota do clube “impertinente e desagregadora”. Enquanto isso, a decisão final caberá à Justiça, que ainda deve homologar (ou não) o acordo aprovado na assembleia.
O que está em jogo?
- Paraná Clube rejeita plano que mantém SAF como garantia após venda.
- Credores defendem leilão como forma de quitar dívidas.
- Clube teme que comprador ignore projetos esportivos e foque apenas nos imóveis.
- Justiça terá a palavra final sobre a validade do plano.
Enquanto aguarda uma definição judicial, o Tricolor segue afastando o risco de falência e buscando alternativas para reconstruir o clube sem abrir mão do controle sobre seu futuro.

Leia o texto do Paraná Clube na íntegra
SAF não se trata de uma venda qualquer.
É um clube.
Com história e torcida.
E isso muda tudo.
Considerações iniciais
Uma transação deste porte jamais será simples – especialmente para um clube que não pode errar novamente. Criticar é um direito de todo o torcedor.
Mas, quando for SAF do Paraná Clube, lembre-se: a maioria das SAF’s de pequeno e médio porte enfrentam problemas com descumprimentos contratuais e promessas não cumpridas.
Aos fatos
Nosso silêncio não foi omissão, mas responsabilidade. Estávamos até o momento sob NDA – sigla em inglês para Acordo de Confidencialidade. Este acordo perdeu a validade quando a proposta se tornou pública judicialmente no início de novembro de 2025.
Estamos em Recuperação Judicial
O que diz a Lei 11.101/2005:
Art. 47. A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica.
Como isso funciona?
O Judiciário indica um Administrador Judicial, e é criada uma Assembleia Geral de Credores, que decide sobre os planos de reestruturação e o pagamento das dívidas. Assim como as dívidas (passivos), os patrimônios (ativos) ficam como garantia dentro da RJ. Lembre-se: A SAF do Paraná é um destes ativos.
E quem está à frente do processo da SAF do Paraná?
Em 2024 foi criado o Comitê da SAF com objetivo de buscar investidores, bem como receber, avaliar e parametrizar propostas e apresentá-las ao clube. O comitê não escolhe investidor. Não decide plano. E não assina contrato.
Quem decide?
A proposta precisa ser aprovada pelos Conselhos do Clube e pelos Credores, em assembleia. Se tudo estiver dentro da Lei, a Justiça homologa o acordo.
Propostas
“Comunicar” a jornalistas não significa apresentar proposta formalmente ao clube. Infelizmente, alguns influenciadores do setor difundiram notícia neste teor, mas jamais verificaram a fonte. Por isso, comunicados que: Não tivemos proposta do “grupo do Ricardo Rocha” e não tivemos proposta do “sócio do Grupo Santa Cruz”.
Como assim?
Tivemos conversas preliminares que não evoluíram por falta de projeto e/ou por falta de investimento no futebol. Mas, principalmente, por falta de garantia financeira.
A proposta que existiu
A única proposta vinculante foi a da NextPlay Capital. Proposta vinculante é a que cria um compromisso legal entre as partes e que gera consequências reais em caso de não cumprimento da mesma.
R$ 210 milhões a R$ 682 milhões* de investimento total. R$ 130 milhões para os credores.
*Conforme desempenho esportivo
Por que o investidor retirou a proposta?
Grupos de credores formaram maioria e não aceitaram a proposta. Eles mudaram um acordo pré-estabelecido em reunião e apresentaram um novo plano com condições que inviabilizaram o negócio.
Qual o erro do plano dos credores?
O plano pretende leiloar a SAF, mas sem liberar a SAF. Ou seja: o investidor compra, mas a SAF continua como garantia dentro da Recuperação Judicial. Isso não existe em nenhuma outra SAF do país. E vai continuar não existindo.
O impacto real
Nenhum investidor sério comprará uma SAF “bloqueada”. Sem investidor, não há solução. A SAF trava e o credor não recebe.
Qual a posição do Clube?
O Paraná Clube não aceitará uma venda hostil, sem aprovação interna. A venda hostil permite que qualquer grupo compre a SAF sem contratos vinculantes. Ou seja, sem obrigações pré-definidas – como investimentos em infraestrutura e/ou no futebol. Isso permitirá que o comprador, por exemplo, uma construtora, adquira o clube e apenas o feche, a fim de utilizar somente os imóveis.
O plano precisa ser corrigido. Em comum acordo ou judicialmente, contestaremos qualquer tenativa de leilão da SAF. No dia 28/11/2025, entramos com o pedido de indeferimento do Plano Modificativo aprovado na Assembleia de Credores. A recusa por parte dos credores trouxe a falência do Paraná Clube novamente à pauta. Mas isso não acontecerá. Temos patrimônio que garante grande parte da dívida. E, como recuperanda, toda a operação está em dia.
E agora?
Temos torcida e temos história. O projeto SAF continua. E seguimos em busca de investidores.
Fonte: Um Dois Esportes.



