O Paraná Clube encerrou o exercício financeiro de 2025 com um déficit de R$ 18,9 milhões, elevando seu endividamento total para o patamar de R$ 190,5 milhões. O balanço, auditado pela empresa Müller & Prei, reflete os impactos de uma temporada em que o time profissional disputou apenas 11 partidas oficiais, com atividades encerradas ainda no mês de fevereiro. Diante da escassez de competições, o faturamento anual ficou restrito a R$ 7,5 milhões, sendo a maior fatia proveniente do aluguel da Vila Capanema para eventos e jogos de terceiros, que gerou R$ 2,6 milhões. Outras receitas importantes para amenizar o prejuízo foram arrecadação com os jogos na Vila Capanema, com R$ 2,4 milhões, e patrocínio e publicidade, com R$ 1 milhão.
O relatório de auditoria aponta uma “incerteza relevante sobre a continuidade operacional” da instituição, condicionando a sobrevivência do clube à equalização de sua situação patrimonial e ao cumprimento rigoroso do plano de Recuperação Judicial. Em 2025, as despesas somaram R$ 26,5 milhões, impulsionadas majoritariamente pela atualização da Transação Tributária (R$ 13,3 milhões) e pelos juros incidentes sobre a Recuperação Judicial. O cenário esportivo agravou a crise financeira, uma vez que o rebaixamento para a Segunda Divisão estadual limitou a receita com direitos de transmissão a apenas R$ 67 mil.

Gestão da NextPlay inicia reestruturação e investimentos na base
Apesar do balanço deficitário, o cenário para 2026 apresenta sinais de mudança com a chegada da NextPlay, que assumiu o comando da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube em dezembro passado. Embora o plano aprovado pelos credores ainda aguarde homologação judicial definitiva, a nova gestão já atua em período de transição. Entre as primeiras medidas estão a contratação do diretor de futebol Rodrigo Possebon e do técnico Tcheco, além da montagem integral do elenco que atualmente disputa o acesso à elite estadual.
O projeto da SAF também contempla melhorias estruturais significativas, como a transformação da Vila Olímpica do Boqueirão em centro de treinamento exclusivo para o time profissional e base. Houve a reativação das categorias sub-15 e sub-17, além de novos aportes no sub-20. Dentro de campo, os investimentos têm gerado resultados imediatos: o Tricolor detém a melhor campanha e a invencibilidade na Segunda Divisão, aproximando-se da vaga nas semifinais. A diretoria foca agora na obtenção da Certidão Negativa de Débitos da Fazenda Nacional para consolidar a transição jurídica e administrativa da SAF.
Fonte: Um Dois Esportes.



