A Assembleia Geral dos Credores do Paraná Clube aprovou um novo plano de Recuperação Judicial que prevê a venda da SAF por leilão — movimento inédito no futebol brasileiro. A decisão desagradou o clube e fez a Nextplay Holding SA retirar sua proposta de compra. A situação aumenta incertezas sobre o futuro da instituição.
Na quinta-feira (19), os credores do Paraná Clube votaram novo plano de Recuperação Judicial que traz inovação: venda da SAF por leilão judicial.
O plano aprovado também inclui o leilão independente da sede Kennedy, sede social do clube. Os dois ativos seriam vendidos separadamente.
A decisão ainda precisa ser aprovada pela juíza Mariana Gusso, que avaliará o documento nos próximos dias.
A retirada da Nextplay
A Nextplay Holding SA era a única empresa que havia apresentado proposta vinculante para a compra da SAF do Paraná. Porém, na reunião de quinta-feira, os credores não aceitaram o plano modificativo para pagamento de dívidas proposto pela empresa.
Diante da rejeição, a Nextplay retirou sua oferta de aquisição.
Segundo credores, rejeitaram as mudanças por não sentirem segurança sobre os pagamentos a longo prazo.
A Nextplay prometia investimentos mínimos conforme o calendário do clube. Para 2026, quando o Paraná disputará apenas a Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense, oferecia R$ 10 milhões.
A projeção era retornar a série nacional em 2028. Para isso, investiria ao menos R$ 21,9 milhões quando o clube jogasse a Série D.
Além de investimento no futebol, a empresa prometia:
- Transformar Érton Coelho Queiroz (Vila Olímpica) num novo Centro de Treinamento com aplicação de R$ 10 milhões
- Trabalhar pela resolução jurídica da Vila Capanema
- Reformar o estádio
Posição do clube
O Paraná Clube divulgou uma nota discordando do plano aprovado pelos credores. O clube afirma que o leilão pode gerar “insegurança jurídica” por ser algo novo no país.
O clube também critica os credores, argumentando que foram eles mesmos que solicitaram modificações ao plano da Nextplay — modificações que depois rejeitaram.
“O texto aprovado gera insegurança jurídica relevante à independência da UPI SAF, afasta potenciais investidores, inviabiliza a construção de qualquer proposta séria”, escreveu o clube.
Posição dos credores
Jorge Augusto Derviche Casagrande, presidente do Comitê de Credores, defende o novo plano argumentando que o leilão traz transparência e oferece igualdade de condições a todos os potenciais investidores.
“O Paraná vai ser oferecido em igualdade de condições a todos os brasileiros e estrangeiros que queiram investir em um clube tradicional”, disse.
Casagrande também afirmou que o Paraná é “o time mais barato do Brasil para ser comprado” e que o leilão judicial é “o meio mais vantajoso” para atrair investidores.
Risco de Falência?
Com a retirada da Nextplay, as incertezas aumentam. O prazo final é a próxima reunião dos credores, prevista para fevereiro de 2026.
Se o novo plano for aprovado pela juíza Mariana Gusso, o leilão da SAF precisa acontecer até fevereiro. Caso contrário, parte dos credores entende que há risco real de falência do clube.
Porém, outros credores e pessoas ligadas ao clube não acreditam que o novo plano aumenta risco de falência. Essa ala acredita que o plano sofrerá alterações para atrair investidores e não vê a situação como irreversível.
O Paraná Clube segue sem participação em divisão nacional. Para 2026, disputará apenas a Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense, tentando retornar à elite estadual.
A SAF é vista como um caminho necessário para a reconstrução do clube, mas o impasse atual coloca essa estratégia em risco.
Veja a nota emitida pelo Paraná Clube:
“O Paraná Clube vem a público informar que, diante da não concordância dos credores em relação aos termos construídos ao longo dos últimos meses, a NextPlay Capital comunicou a retirada de sua proposta de aquisição da UPI Futebol (SAF Paraná Clube).
A proposta da NextPlay Capital contemplava investimentos mínimos de R$ 210 milhões, que poderiam chegar a R$ 687 milhões conforme os gatilhos de desempenho e expansão previstos no plano apresentado. Essa composição representava um dos maiores avanços já obtidos no contexto da recuperação judicial, resultado direto do esforço conjunto de negociações entre clube, investidora e diversos representantes da massa credora.
Aos credores, a proposta chegou a mais de R$ 130 milhões em valor econômico, incluindo o pagamento integral do passivo fiscal pelo investidor, além da destinação da Sede da Kennedy — avaliada em mais de R$ 88 milhões — para o pagamento dos credores concursais, extraconcursais e ilíquidos.
O clube reconhece que os credores detêm o direito legítimo de deliberar sobre o processo, e respeita integralmente essa prerrogativa. No entanto, mesmo após um amplo ciclo de negociações, prevaleceu uma divergência significativa entre os próprios credores quanto aos pontos essenciais da proposta, o que impediu a formação de uma posição comum. Alguns representantes — inclusive aqueles com influência sobre algumas classes — haviam sinalizado concordância preliminar, optando posteriormente por não manter o alinhamento inicialmente construído.
O Paraná Clube, no papel de recuperanda, deixa claro sua posição contrária ao Plano aprovado na Assembleia Geral de Credores realizada na data de hoje (19/11/2025). O texto aprovado gera insegurança jurídica relevante à independência da UPI SAF, afasta potenciais investidores, inviabiliza a construção de qualquer proposta séria e compromete, de forma direta e objetiva, a estabilidade e o desfecho regular do Processo de Recuperação Judicial do Paraná Clube.
Com a retirada da proposta, o processo seguirá seu curso regular, dentro das normas da recuperação judicial e das responsabilidades de cada parte envolvida.“
Fonte: ge.Globo.



