O São Bento atravessa um dos períodos mais críticos de sua história centenária. Após uma campanha encerrada com o rebaixamento para a Série A3 de 2027 no Campeonato Paulista, um grupo de torcedores, empresários e lideranças locais iniciou uma mobilização para tentar reverter o cenário de declínio técnico e administrativo. O movimento, batizado de “Retomada do DNA Vencedor”, teve sua primeira reunião oficial nesta segunda-feira (16) com o prefeito de Sorocaba, Fernando Martins, que já presidiu o clube em gestões anteriores.
A iniciativa surge como uma resposta direta ao desempenho do time na Série A2, onde acumulou 12 derrotas, dois empates e apenas uma vitória em 15 partidas disputadas. Além do fracasso esportivo, o clube lida com uma instabilidade institucional recente: o atual presidente, o empresário Florísio Viana, assumiu o cargo neste mês de março após a renúncia de Almir Laurindo, que deixou o posto antes de concluir seu mandato trienal.
O movimento Retomada do DNA Vencedor
A proposta do grupo é unir diferentes setores da sociedade civil, incluindo conselheiros e a iniciativa privada, para resgatar a identidade do clube e reaproximá-lo da torcida. A estratégia é inspirada no colegiado “Vamos Subir, Bento”, criado em 2013. Naquela ocasião, a união de dirigentes e o apoio da cidade conseguiram tirar o São Bento da Série A3 e levá-lo até a Série B do Campeonato Brasileiro em um intervalo de seis anos.
Atualmente, o movimento conta com o suporte de Wilson Vieira, presidente do Conselho Deliberativo, e do próprio presidente Florísio Viana. O objetivo central é fortalecer o apoio institucional e financeiro para reorganizar a agremiação e garantir que ela retorne a um patamar competitivo nos próximos anos.
Desafios financeiros e incertezas no calendário
A situação financeira é o principal obstáculo para o planejamento do segundo semestre. Florísio Viana confirmou que o São Bento enfrenta dificuldades de caixa e possui diversos compromissos em aberto. A crise foi agravada pela perda de patrocinadores durante a primeira metade do ano, o que obriga a diretoria a buscar novas parcerias de forma imediata.
Um dos pontos de maior preocupação envolve a parceria de cogestão realizada durante a Série A2. Existe uma pendência relacionada a um aporte de R$ 500 mil que não teria sido regularizado pelo grupo parceiro, gerando um impacto direto nas contas do clube. Diante desse cenário, a participação na Copa Paulista ainda não está confirmada. Embora haja o desejo de manter o calendário ativo, a decisão depende de um convite da Federação Paulista e, sobretudo, de uma análise rigorosa de despesas e aportes. A diretoria sinaliza que não pretende disputar a competição se isso significar o aumento das dívidas sem o devido suporte financeiro.
Gestão de pessoal e a possibilidade de SAF
Apesar do acúmulo de contas, a presidência afirma que tem priorizado o pagamento dos salários dos funcionários da agremiação para evitar atrasos no quadro administrativo. O ajuste das contas é tratado como uma tarefa diária e complexa diante da escassez de verbas.
Como solução estrutural para o futuro, a transformação do São Bento em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) é vista com otimismo pela atual gestão. O presidente Florísio Viana declarou que apoia a chegada de um grupo investidor, desde que o projeto tenha capacidade real de sanar as dívidas existentes e realizar novos investimentos no departamento de futebol. A expectativa é que novas ações do movimento de retomada sejam anunciadas nas próximas semanas para definir os rumos da reestruturação.
Fonte: Futebol Interior.



