A Vara da Infância e da Juventude do Foro Regional do Tatuapé, em São Paulo, determinou a suspensão imediata dos efeitos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a Fatal Fans, plataforma on-line de conteúdo adulto. A decisão liminar, anunciada nesta quinta-feira (1º), dá ao clube o prazo de 15 dias para retirar ou cobrir a marca dos uniformes, espaços esportivos e canais digitais, além de remover os links que direcionam os usuários à plataforma. A medida atinge, ainda, a exposição em outras áreas do clube e exige a adoção de mecanismos eficazes de verificação de idade para restringir o acesso de crianças e adolescentes aos conteúdos do site.
A ação civil pública foi ajuizada pelo Ministério Público de São Paulo. Na avaliação da Justiça, a divulgação da plataforma nos canais do clube alcançaria um expressivo público infantojuvenil — e, como a publicidade vinha ocorrendo em diversos meios, a liminar considerou presente o perigo do dano, diante do risco concreto à integridade emocional, à dignidade e ao desenvolvimento sadio de crianças e adolescentes. O processo tramita sob segredo de justiça, e, por se tratar de medida liminar, ainda cabe recurso. A determinação, neste momento, não rompe o vínculo comercial entre as partes: o Corinthians fica impedido de dar exposição à marca nos espaços alcançados pela decisão enquanto ela estiver em vigor.
A parceria havia sido fechada no fim de junho de 2026, com validade prevista até dezembro de 2027, e contemplava o pagamento de R$ 22 milhões ao clube durante o período — com presença em propriedades comerciais do futebol masculino, do futebol feminino, do futsal e do basquete, embora a exposição da marca acontecesse de forma diferente em cada modalidade. A empresa, inclusive, havia demonstrado interesse em ampliar a relação: na semana passada, apresentou uma proposta para ocupar o espaço de patrocinador máster, com valores superiores a R$ 100 milhões por ano. A movimentação ocorreu depois que a Esportes da Sorte, então dona do principal espaço da camisa corintiana, perdeu a possibilidade de operar no Brasil em razão da medida provisória assinada pelo governo federal — mas o clube não deu resposta positiva à oferta da Fatal Fans.
Risco de intervenção judicial também ronda a eleição do clube
A decisão sobre o patrocínio chega em meio a um cenário institucional delicado no Corinthians. O clube abriu nesta quinta-feira (1º) o prazo de inscrição de candidaturas para a eleição presidencial, que acontecerá no final do ano — mas o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, afirma que a votação corre o risco de não acontecer devido a um pedido de intervenção judicial.
A disputa de bastidores envolve uma ação na 13ª Vara Cível de São Paulo que pede o afastamento da diretoria atual e a nomeação de um administrador temporário para convocar novo pleito. Os autores apontam graves falhas financeiras e administrativas na gestão. Embora a Justiça tenha negado a liminar de urgência e a promotoria tenha se manifestado contra a medida imediata, o processo continua em andamento regular. O cenário se soma a outro impasse: uma assembleia acabou suspensa por liminar judicial obtida pelos conselheiros vitalícios Ademir de Carvalho Benedito, Alexandre Husni e Guilherme Strenger, sob a justificativa de que a votação dos tópicos violava o regimento do clube.
Enquanto isso, o calendário segue oficialmente de pé: os interessados na eleição presidencial têm até o dia 15 de outubro para registrar as chapas, e a votação dos sócios está marcada para 28 de novembro, no Parque São Jorge. Na prática, o Corinthians atravessa um período em que o Judiciário passou a ser protagonista em duas frentes distintas — a suspensão de um patrocínio milionário por proteção ao público infantojuvenil, de um lado, e a ameaça de intervenção que paira sobre o processo eleitoral, do outro. Os próximos 15 dias, prazo fixado pela liminar para a retirada da marca, também serão decisivos para saber se os trâmites internos da eleição seguirão intocados.


