A Câmara de Resolução de Disputas da Fifa condenou o Atlético-MG a pagar dívidas que somam mais de R$ 17 milhões, relativas às contratações do zagueiro Lyanco, do zagueiro Bruno Fuchs — hoje no Palmeiras — e do atacante colombiano Brahian Palacios. As decisões foram publicadas nesta semana, mas foram proferidas ao longo do primeiro semestre do ano. O clube recorreu nos três casos ao CAS, a Corte Arbitral do Esporte, instância máxima de arbitragem do esporte mundial.
Os credores são três clubes de países diferentes: o Southampton, da Inglaterra, o CSKA Moscou, da Rússia, e o Atlético Nacional de Medellín, da Colômbia. Em todas as condenações, a pena prevista em caso de não pagamento é a mesma — a proibição de registrar novos jogadores, conhecida como transfer ban —, além de juros e multas contratuais. Em comunicado, o Atlético reconheceu a existência das disputas no âmbito da Fifa e do CAS, afirmou que “impugna alguns excessos nas respectivas ações” e indicou que isso “viabilizará as tratativas para o pagamento de seus débitos”.
Lyanco: atraso em parcelas gera dupla condenação
O primeiro caso envolve a compra de Lyanco junto ao Southampton, em julho de 2024, por 5,25 milhões de euros — cerca de R$ 31 milhões na cotação da época. O valor foi dividido em cinco parcelas. Em outubro de 2025, o clube inglês acionou a Fifa por atraso na terceira parcela, e a Câmara de Resolução de Disputas deu ganho de causa ao Southampton. Em março de 2026, nova reclamação, agora pela quarta parcela: o Galo alegou que não pagou por não ter recebido faturas válidas, mas a justificativa foi recusada em abril.
Na segunda condenação, o Atlético foi obrigado a pagar 1,125 milhão de euros — cerca de R$ 6,6 milhões —, com juros de 8,75% ao ano contados desde janeiro, além de multa de US$ 45 mil. O clube recorreu ao CAS, mas a decisão ainda citou a reincidência do Galo como fator agravante — sinal de que a entidade olha com mais rigor para quem repete os atrasos.
Fuchs e Palacios: multas, juros e uma negociação travada
Bruno Fuchs chegou por empréstimo do CSKA Moscou em dezembro de 2023, mediante pagamento de 360 mil euros — cerca de R$ 1,9 milhão —, com opção de compra de 2,7 milhões de euros exercida em dezembro de 2024. O clube russo alegou que a taxa do empréstimo e a primeira parcela da compra não foram pagas. Em abril, a Fifa condenou o Galo a pagar 900 mil euros — cerca de R$ 5,2 milhões —, com juros de 7% ao ano e multa contratual de 63,6 mil euros, sob pena de impedimento para registrar novos jogadores por até três janelas. No processo, o Atlético não questionou os valores, apenas a competência do órgão para julgar o caso. O CSKA ainda tentou incluir essa dívida na negociação pela compra do atacante Cuello — o clube mineiro recusou e a tratativa não avançou.
No caso de Brahian Palacios, a contratação do Atlético Nacional, em março de 2024, custou US$ 3 milhões, divididos em quatro parcelas. A última, de US$ 800 mil, venceu em 15 de março deste ano e atrasou. O clube colombiano reclamou na Fifa, citando multa de 100% do valor devido, além de juros de 5% ao ano. O Galo classificou a multa como desproporcional — para o clube, o correto seria US$ 80 mil. O árbitro deu razão ao Atlético Nacional, mas reduziu a punição pela metade, por entender que o Atlético não agiu de má-fé, já que havia quitado as parcelas anteriores. A condenação final: os US$ 800 mil da última parcela, com juros de 5% desde março, mais US$ 400 mil — cerca de R$ 2 milhões — de multa contratual, com prazo de 45 dias, contados a partir de junho, para que o registro de novos jogadores não fosse bloqueado.
Na prática, a estratégia do Atlético é ganhar tempo e tentar reduzir os valores: ao recorrer ao CAS, o clube suspende a aplicação imediata das punições enquanto a corte analisa os recursos. A aposta, como indica a própria nota oficial, é impugnar os excessos e negociar o pagamento dos débitos a partir daí — mas o fantasma do transfer ban segue de pé nos três casos, e a menção à reincidência no processo de Lyanco mostra que a Fifa estará atenta aos próximos passos do Galo.
Posicionamento do Atlético-MG ao No Ataque
O Atlético reconhece a existência de disputas no âmbito da FIFA/CAS referentes aos atletas em questão e impugna alguns excessos nas respectivas ações, premissa que viabilizará as tratativas para o pagamento de seus débitos.



