A situação financeira do Rio Branco Esporte Clube, tradicional agremiação de Americana (SP) fundada em 1913, atingiu um novo ponto crítico. A Justiça penhorou o Estádio Décio Vitta, principal patrimônio do clube, por uma dívida de R$ 108,6 mil de IPTU referente ao exercício de 2023. Com a penhora, o estádio — inaugurado em 1º de maio de 1977 e com capacidade para 16.300 torcedores, dos quais 9.647 liberados por laudos da Federação Paulista de Futebol — poderá ser levado a leilão para pagamento do débito.
A ação foi ajuizada pela Prefeitura de Americana em 2 de dezembro de 2024, quando a dívida era calculada em R$ 77.647,27, acrescidos de R$ 19.198,73 em correção, juros e multa. Após a Justiça conceder prazo de cinco dias para pagamento, sem resposta, o município pediu a penhora em março, confirmada pelo juiz no dia 17 de julho, com o valor atualizado para R$ 108.645,49. O estádio, no entanto, acumula outros débitos de IPTU que vêm desde 2021: R$ 118.444,25 (penhora de outubro de 2025), R$ 108.677,88 (penhora de abril de 2026), R$ 100.129,99 (2024) e R$ 90.771,26 (2025). Somados, os débitos do Décio Vitta alcançam R$ 526.668,87.

Esta é a segunda vez neste ano que um patrimônio do Rio Branco é alvo de penhora por falta de pagamento de IPTU. Em abril, a Justiça determinou a apreensão da Sede Náutica, estrutura poliesportiva e social de 84 mil metros quadrados localizada às margens da Represa Salto Grande, que conta com campos, quadras, piscina, academia e churrasqueiras. As dívidas desse imóvel vêm desde 2011 e alcançam R$ 864.428,71 em valores atualizados, com aumento expressivo a partir de 2016, quando os débitos saltaram de R$ 3.389,33 para R$ 109.531,97 em um único ano. Nos casos de 2017 e 2018, as penhoras da Sede Náutica também afetaram áreas do próprio Décio Vitta.

As penhoras acontecem no momento mais delicado da história centenária do clube. Desde abril de 2024, o Rio Branco está oficialmente em processo de recuperação judicial, mecanismo acionado para blindar a agremiação contra execuções de dívidas trabalhistas e cíveis antigas, estimadas em milhões de reais, e permitir a continuidade das atividades. O clube tenta acelerar a cobrança de repasses financeiros e percentuais de direitos econômicos de jogadores formados na base que foram negociados com equipes maiores, como forma de gerar caixa para quitar as pendências.
O Rio Branco é o único time profissional de futebol de Americana e disputou neste ano o Campeonato Paulista da Série A-3, equivalente à terceira divisão estadual. Em sua trajetória, o clube passou 18 anos na primeira divisão paulista (de 1991 a 2007 e em 2010) e é a equipe do estado com mais participações no Campeonato Brasileiro da Série C. Conquistou dois títulos do interior em 1922 e 1923, foi campeão da Série A-3 em 2012 e da Série A-4 em 2024. Também é reconhecido por ter revelado grandes nomes do futebol brasileiro, como os meias Marcelinho Paraíba e Danilo, além do volante Mineiro. O estádio Décio Vitta é o coração do clube — uma eventual perda do imóvel inviabilizaria o planejamento esportivo a curto e médio prazo, ameaçando o esforço de reconstrução do futebol profissional da equipe.
Nota da Presidência em 23 de julho de 2026
O Rio Branco Esporte Clube comunica aos torcedores e meios de comunicações interessados que tomou conhecimento do pedido de penhora do Estádio Décio Vitta, partindo da Prefeitura Municipal, sobre dívidas de IPTU.
O Presidente Claudio Bonaldo e a equipe jurídica do clube está se manifestando nos autos, dentro do prazo determinado pelo juízo do caso e buscará uma solução em definitiva da questão. O Clube estava aguardando um deferimento da petição de isenção do imposto, em benefício da lei municipal que isenta as associações sem fins lucrativos de recolher o IPTU. Vale ressaltar que a mesma recusa de isenção havia acontecido com a Sede Náutica recentemente e foi tratado de forma responsável dentro dos autos.
Nosso torcedor pode ficar tranquilo que seguiremos trabalhando pela recuperação do Rio Branco.
Fonte: g1 Campinas e Região; Futebol Interior; Instagram do Rio Branco EC.



