O cenário político e administrativo do Corinthians sofreu um forte impacto com o avanço de uma ação penal na Justiça de São Paulo. O vice-presidente afastado do clube, Armando Mendonça, tornou-se oficialmente réu em um processo que apura o suposto desaparecimento de materiais esportivos fornecidos pela patrocinadora Nike. A denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo foi aceita pela juíza Amanda Eiko Sato, da 25ª Vara Criminal do Foro Central Criminal da Barra Funda.
A decisão judicial baseou-se nos elementos colhidos durante o inquérito policial, os quais apontaram indícios de autoria e provas da materialidade dos fatos. Ao avaliar a peça acusatória, a magistrada considerou preenchidos todos os requisitos legais e os pressupostos de validade para dar início à ação penal. Com a abertura oficial do processo, o dirigente, que já havia solicitado o afastamento de suas funções no clube no dia 8 de junho, terá o prazo de dez dias para apresentar sua resposta técnica assim que for formalmente intimado.
As acusações e os fundamentos da decisão judicial
O processo criminal detalha condutas graves supostamente praticadas ao longo do período investigado. Armando Mendonça responderá em juízo por apropriação indébita agravada continuada, tentativa de apropriação indébita agravada continuada, furto qualificado por abuso de confiança — crime caracterizado quando o acusado se vale da facilidade de seu cargo ou da confiança nele depositada para subtrair bens — e coação no curso do processo.
Em seu despacho, a juíza Amanda Eiko Sato enfatizou que os elementos cognitivos trazidos pela investigação policial evidenciam um lastro probatório mínimo e indispensável para a instauração do processo penal. A magistrada considerou positiva a admissibilidade da denúncia para garantir a validade da relação processual e a apuração aprofundada dos delitos descritos pelo Ministério Público, determinando o prosseguimento da ação contra o réu.
Falhas no controle interno e a manifestação da defesa
A investigação ganhou consistência a partir de uma auditoria interna realizada pelo próprio Corinthians, que identificou sérias irregularidades na gestão dos materiais esportivos. O relatório técnico apontou que ocorriam retiradas de produtos acima da cota anual prevista no contrato com a fornecedora. Além disso, os auditores constataram que diversas peças estavam em más condições e armazenadas de forma totalmente inadequada, expondo falhas crônicas na cadeia de recebimento, controle e distribuição dos itens por diferentes departamentos. O diagnóstico final da auditoria revelou um cenário de desorganização que impede a rastreabilidade, a transparência e a uniformidade no uso dos produtos destinados às modalidades esportivas do clube.
Diante do recebimento da denúncia, Armando Mendonça manifestou-se oficialmente para rebater as acusações. O dirigente afirmou ter recebido a decisão judicial com serenidade e negou categoricamente a prática de qualquer irregularidade ou desvio de materiais. Ele sustentou que a acusação é injusta, assegurando que nunca obteve nenhum tipo de benefício pessoal em prejuízo do patrimônio corintiano. Ao final, reforçou sua total confiança no Poder Judiciário e garantiu que demonstrará sua inocência por meio da defesa que será anexada aos autos do processo dentro do prazo legal.
Veja a nota completa de Armando Mendonça
Ninguém recebe com naturalidade a notícia de que passa a responder a uma acusação criminal, especialmente quando tem plena convicção de que se trata de uma acusação injusta, infundada e baseada em premissas equivocadas.
Encaro este momento com serenidade, firmeza e confiança. Esta será a oportunidade para demonstrar, enfim, de forma técnica e documental, que jamais desviei 131 materiais do Sport Club Corinthians Paulista, jamais me apropriei de qualquer bem e jamais obtive benefício pessoal em prejuízo do clube.
É importante esclarecer que, até aqui, não houve análise definitiva do mérito dos fatos. A existência de uma acusação não significa reconhecimento de culpa nem validação das conclusões equivocadas que lhe deram origem.
O próprio Sport Club Corinthians Paulista já se posicionou sobre o caso, rechaçando acusações infundadas e deixando claro que o documento interno utilizado como base para a denúncia jamais concluiu pela existência de desvio, apropriação ou qualquer conduta ilícita de minha parte.
Respeito as instituições, respeito o processo e confio na Justiça. Minha defesa será exercida no campo próprio, com responsabilidade, serenidade e absoluto compromisso com a verdade.
Fonte: Lance.



