A confirmação de Liam Rosenior como novo técnico do Chelsea, anunciada na terça-feira (6), colocou novamente sob holofotes um tema sensível no futebol europeu: o impacto do modelo de propriedade multiclube. O treinador inglês, de 41 anos, deixou o Strasbourg para substituir Enzo Maresca no comando dos Blues — e o caso ganhou repercussão justamente porque Chelsea e Strasbourg pertencem ao mesmo grupo, a BlueCo.
Antes mesmo do anúncio oficial, o jornalista Rory Smith criticou a transferência ao comentar o assunto no programa “Monday Night Football”, da BBC Sport. Para ele, a movimentação expõe um desequilíbrio estrutural entre clubes de um mesmo conglomerado: “Uma das maiores vergonhas do futebol europeu moderno, porque tira do Strasbourg — um clube independente, com sua própria razão de ser — qualquer tipo de soberania”, afirmou.
Strasbourg em alta e a crítica sobre autonomia dentro do grupo
A discussão cresce porque o Strasbourg vivia bom momento esportivo. O time aparece como líder da Conference League, com 16 pontos e apenas uma derrota em seis jogos, além de ocupar a 7ª posição na Ligue 1, com 24 pontos. Rosenior estava no clube desde 2024 e, segundo a matéria, somou 32 vitórias, 14 empates e 17 derrotas.
Rory Smith avaliou que, dentro dessa relação, o Strasbourg teria dificuldade de se opor a um movimento do clube “maior” do grupo. Ele resumiu o incômodo com a ideia de que o Chelsea poderia simplesmente “convocar” um profissional de outro clube do mesmo conglomerado no meio da temporada, justamente quando o Strasbourg vinha de uma campanha positiva. O jornalista também ponderou que o treinador poderia dizer não, mas questionou se o Strasbourg teria a mesma capacidade de recusa.
A reportagem registra ainda que houve relatos na mídia francesa sobre um possível desacordo entre o presidente do Strasbourg, Marc Keller, e Behdad Eghbali, proprietário de ambos os clubes, a ponto de Keller supostamente ameaçar renunciar caso a mudança se confirmasse.
Reação de torcedores e o que Rosenior disse ao assumir o Chelsea
A transferência também provocou reação de torcedores. Um dos principais grupos ligados ao Strasbourg, a Fédération Supporters RCS, classificou a situação como “humilhante” e afirmou que o problema ultrapassa o impacto esportivo imediato, chamando o tema de estrutural. A matéria também cita a percepção de parte da torcida de que o Strasbourg seria o “parceiro júnior” dentro da relação com o Chelsea.
Do lado do treinador, Rosenior assinou com o Chelsea até 2032. No comunicado oficial citado no texto, ele disse estar “honrado” com a oportunidade, falou em preservar a identidade da equipe “enquanto se conquista mais troféus” e afirmou que fará o máximo para levar ao clube o sucesso que ele “merece”.
Fonte: Trivela.



