O Grêmio incorreu no chamado Evento de Insolvência e sofreu, nesta terça-feira (25), um bloqueio preventivo — similar a um transfer ban — aplicado pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), órgão independente criado pela CBF para aplicar as regras do fair play financeiro implementado no futebol brasileiro. Na prática, o clube não está proibido de contratar e registrar jogadores, mas novas contratações ficam condicionadas a uma autorização prévia da agência. É o primeiro caso de aplicação da Seção 8 do Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira (RSSF), em funcionamento desde 1º de janeiro de 2026 — e a primeira vez que um clube brasileiro é alvo da medida.
A ação ocorreu porque o Grêmio apresentou recentemente um plano de pagamento coletivo de credores à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). O objetivo do clube é quitar uma dívida total de quase R$ 16 milhões, distribuída em 23 processos, no prazo de 60 meses. Conforme o documento divulgado pela Anresf, esse movimento configura Evento de Insolvência — condição que também é gerada por recuperação judicial, recuperação extrajudicial e aditamento de plano existente, por exemplo. De acordo com a agência, o bloqueio preventivo é uma trava no sistema de registro de atletas da CBF, que já foi comunicada da decisão. O Grêmio também já foi formalmente comunicado e convidado a negociar o chamado Acordo de Reestruturação previsto no regulamento.
Como funciona a liberação e o que diz o clube
Enquanto vigorar o bloqueio, o clube precisará submeter eventuais novas contratações à Anresf, provando ter capacidade financeira para arcar com os custos da transação e dos salários. A liberação de novas contratações depende de dois fatores: saldo positivo acumulado com receitas de transferências de jogadores na janela vigente e que os gastos com taxas e comissões da nova contratação, somados aos já realizados no período, permaneçam iguais ou inferiores ao total arrecadado. A agência também verifica se a contratação mantém a folha de pagamento de jogadores e da comissão técnica dentro do teto mensal fixado pelo regulamento — a remuneração não pode superar a média dos seis meses anteriores ao Evento de Insolvência.
Em contato com o ge, o Grêmio explicou que não fará mais contratações nesta janela. O clube também acrescentou que, caso um novo jogador seja contratado, teria condições de registrar o reforço mesmo com a aplicação da punição, em função dos valores arrecadados com vendas neste ano. Nos bastidores, o Tricolor acredita que a medida não terá efeito prático: além de não pretender realizar novas contratações nesta janela, o clube reduziu a folha de pagamento nos últimos meses, arrecadou cerca de R$ 167 milhões em vendas de atletas e gastou cerca de R$ 6 milhões em contratações em 2026 — por isso, eventuais novos reforços seriam autorizados pelas regras impostas pela Anresf.
O regulamento prevê saída para o bloqueio preventivo a partir do Acordo de Reestruturação, negociado com a Anresf, ao mesmo tempo em que o clube trata da aprovação do plano de pagamentos na CNRD. As regras da Seção 8 do RSSF aplicam-se a Eventos de Insolvência a partir de 30 de abril de 2026, e esta é a primeira vez que incidem sobre um caso concreto. O bloqueio valerá apenas enquanto o plano de recuperação estiver sob análise, o que deve ocorrer ao longo do segundo semestre.



