O Gama está de volta à Série C do Campeonato Brasileiro. Em uma tarde de casa cheia no Estádio Bezerrão, o time alviverde goleou o São José-RS por 4 a 0, neste domingo (16), no jogo de volta das quartas de final da Série D, e confirmou o acesso depois de 16 anos. A vitória, construída com autoridade, levou a torcida ao êxtase e encerrou um longo tabu para o Distrito Federal: a capital não tinha um time na terceira divisão nacional desde 2013.
A partida começou com o Gama imponente, em busca de resolver a classificação o quanto antes. Aos 11 minutos, o meia Willian Jr. fez uma jogada digna de camisa 10 para abrir o placar. Pouco depois, após cobrança de escanteio do próprio Willian, o zagueiro Darlan subiu sozinho e cabeceou para ampliar. Aos 30 minutos, o São José teve a chance de diminuir: após um bate e rebate dentro da área, o árbitro marcou pênalti, confirmado pelo VAR. Fábio Rampi foi para a cobrança, mas mandou a bola na trave e viu o perigo passar. O Gama seguiu dominando, e Felipe Clemente chegou a balançar as redes em lance anulado por impedimento. Com sede de gol, o artilheiro insistiu e deixou o seu nos acréscimos do primeiro tempo, fechando os 45 minutos iniciais em 3 a 0.
Festival de gols e o fim do tabu do Distrito Federal
Na segunda etapa, o Gama controlou o resultado e não deu espaço para o São José reagir. Nas arquibancadas, os gritos de “Arerê, o Gama vai jogar a Série C” tomaram conta do estádio. Aos 29 minutos, Henrique Almeida tocou para Kennedy, que, livre de marcação, marcou o quarto gol da partida, coroando o que a torcida chamou de um verdadeiro baile dentro de campo. Sem sustos, o time da casa controlou o restante do jogo e, no apito final, o Valmir Campelo Bezerra virou um caldeirão de festa. O público registrado foi de 16.245 torcedores.
A conquista tem um peso especial para o Distrito Federal. Por trás da goleada, há uma comunidade inteira engajada, que sofreu, sorriu, torceu e agora comemora o resultado de um trabalho construído com sintonia entre elenco, comissão técnica e torcida. O acesso recoloca o futebol do Gama no cenário nacional e devolve à capital a presença na Série C, uma ausência que já durava mais de uma década. O time de Luís Carlos Carioca agora se prepara para a semifinal da Série D, seguindo vivo na disputa com o objetivo de conquistar o título da competição além da vaga já assegurada.
O caminho da reconstrução
Em 2022, o Gama apostou na criação de uma Sociedade Anônima do Futebol para tentar solucionar problemas financeiros e administrativos. A primeira experiência, porém, durou pouco. Problemas relacionados ao cumprimento do acordo e instabilidade financeira provocaram a ruptura com a empresa responsável pela SAF, que acabou extinta oficialmente em 2023. O clube voltou ao modelo associativo em uma situação delicada, com dívidas elevadas, dificuldades para manter despesas básicas e uma estrutura que precisava de investimentos.
A virada começou justamente em 2023, quando um novo grupo de investidores passou a enxergar potencial na recuperação do Gama. Naquele momento, o clube acumulava aproximadamente R$ 56 milhões em dívidas, e o trabalho realizado posteriormente reduziu o passivo para cerca de R$ 27 milhões. A estratégia também foi diferente da primeira experiência: a formalização definitiva da nova SAF foi condicionada à homologação da Recuperação Judicial, enquanto os investidores passaram a administrar integralmente o departamento de futebol por meio de um contrato de terceirização. Na prática, o modelo colocou o futebol profissional sob gestão dos investidores, que assumiram os custos e a operação enquanto aguardam a conclusão das etapas jurídicas necessárias.
O Centro de Treinamento também recebeu investimentos, e a SAF focou em outros projetos para iniciar a nova fase do Gama. Foram realizadas uma reforma da academia, a organização do departamento médico e da rouparia, a implantação de refeitório e restaurante e melhorias nos campos. As categorias de base também passaram a fazer parte do planejamento. Com apoio de projetos viabilizados pela Lei de Incentivo ao Esporte, o clube retomou investimentos na formação de atletas e fortaleceu iniciativas como o DNA Gamense.
Fonte: Correio Braziliense; Metrópoles; A Tarde.



