A Fifa anunciou uma mudança relevante na estrutura técnica do futebol feminino internacional e passou a exigir a presença mínima de duas mulheres nas comissões técnicas das equipes que disputarem competições organizadas pela entidade. Pela nova regra, uma dessas profissionais deverá ocupar, obrigatoriamente, o cargo de treinadora principal ou de auxiliar técnica.
A decisão foi divulgada nesta última quinta-feira (19) e começa a ser aplicada ainda neste ano. A medida terá implementação já nas próximas competições organizadas pela Fifa no calendário feminino, o que dá ao novo regulamento efeito prático imediato e obriga federações, seleções e clubes a se adaptarem rapidamente.
Regra valerá em torneios de base, seleções e clubes
A nova exigência será adotada já na Copa do Mundo Feminina Sub-20, marcada para setembro, na Polônia, na Copa do Mundo Feminina Sub-17, em outubro, no Marrocos, e também na FIFA Women’s Champions Cup, na Inglaterra.
O alcance da regra, porém, não se limita a esses eventos. A Fifa informou que a determinação será aplicada de forma ampla a torneios juvenis e adultos, a competições de seleções nacionais e também a torneios de clubes no futebol feminino. Isso significa que a exigência passa a fazer parte de um novo padrão institucional da entidade para suas competições.
Dentro desse cenário, a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil, também estará submetida à nova norma.
Fifa quer acelerar presença feminina nas áreas técnicas
A justificativa da entidade é clara: ampliar a presença de mulheres em funções de comando e acelerar mudanças em um espaço ainda marcado por baixa representatividade feminina. A diretora de futebol da Fifa, Jill Ellis, afirmou que hoje ainda não há mulheres em número suficiente atuando como treinadoras e que a transformação exige ação concreta para criar caminhos mais claros, ampliar oportunidades e dar mais visibilidade às profissionais nas áreas técnicas.
A fala da dirigente ajuda a entender o sentido da medida. A Fifa não está apenas estabelecendo um critério burocrático de inscrição, mas tentando induzir uma mudança estrutural no futebol feminino, pressionando federações e clubes a reverem a composição de suas equipes de trabalho.

Brasil pode precisar ajustar sua comissão técnica
A nova regra cria um possível ponto de atenção para a Seleção Brasileira Feminina. Atualmente, a estrutura técnica da equipe é formada pelo técnico Arthur Elias e pelo auxiliar Rodrigo Iglesias. Com a exigência da Fifa, seria necessário que uma mulher ocupasse um desses postos, já que uma das duas profissionais exigidas precisa estar justamente na função de treinadora principal ou auxiliar técnica.
Esse detalhe coloca a comissão brasileira sob necessidade de adequação para o próximo ciclo competitivo, especialmente com a aproximação da Copa do Mundo de 2027, que será disputada em casa.
Até o momento, não houve manifestação oficial da CBF sobre quais medidas pretende adotar diante da nova determinação.
Mudança amplia pressão por reorganização técnica no futebol feminino
Na prática, a decisão da Fifa deve provocar uma reorganização nas estruturas técnicas de diversas equipes ao redor do mundo. Como a regra alcança desde categorias de base até torneios principais, o impacto tende a ser amplo e imediato.
Mais do que uma exigência de composição formal, a norma passa a funcionar como mecanismo de pressão institucional para ampliar o espaço de mulheres em posições estratégicas dentro do futebol feminino. A partir de agora, não bastará apenas defender o crescimento da presença feminina no discurso. Em competições da Fifa, isso passará a ser um requisito objetivo de participação.
Fonte: Itatiaia.



