O mercado esportivo nacional registrou um marco histórico com a conclusão da venda dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro para o ciclo de 2025 a 2029. O processo, liderado pelos clubes da Futebol Forte União (FFU), resultou em acordos que totalizam R$ 8,5 bilhões, valor que representa um crescimento de 110% em relação ao ciclo anterior. A negociação superou as expectativas iniciais do mercado e consolidou um novo modelo de organização coletiva, atraindo uma gama diversificada de plataformas de mídia e tecnologia.
A estratégia adotada pela FFU, em parceria com a LiveMode, baseou-se na fragmentação dos pacotes comerciais para estimular a concorrência entre diferentes players. O resultado financeiro alcançou a média de R$ 1,7 bilhão por temporada, superando as cifras obtidas por outros blocos de clubes. No modelo final de distribuição, a Globo e a Record asseguraram os pacotes de TV aberta, enquanto o YouTube detém os direitos para plataformas digitais abertas. No segmento de streaming pago, a Amazon Prime Video assumiu a transmissão, enquanto Sportv e Premiere ficaram responsáveis pela TV fechada e pelo sistema de pay-per-view, respectivamente.
Equilíbrio competitivo e aporte bilionário de parceiro estratégico
Além do sucesso financeiro, o novo modelo de gestão da FFU priorizou a redução da disparidade de receitas entre as agremiações. Em 2025, a diferença entre o clube com maior faturamento e o de menor receita dentro do bloco foi reduzida para apenas 1,97 vez — um contraste significativo em relação ao cenário anterior, onde essa distância ultrapassava seis vezes. Essa métrica aproxima o futebol brasileiro dos padrões de distribuição de ligas internacionais de referência, como a Premier League inglesa, que opera com uma proporção próxima de 1,7 vez.
A sustentabilidade do projeto foi reforçada por uma transação individual recorde com a SportsMedia Entertainment (SME). O grupo investiu cerca de R$ 2,2 bilhões nos clubes da FFU, adquirindo participações minoritárias nos direitos de arena das agremiações por um período de 50 anos. Esse aporte estratégico visa garantir estabilidade financeira, fortalecer a governança e acelerar a profissionalização das estruturas administrativas. Atualmente, 33 clubes de diferentes divisões negociam seus direitos de forma coletiva através da FFU, e a expectativa é de nova valorização para o próximo ciclo, com a provável integração de novas equipes a partir de 2029. Atlético-MG e Vitória devem passar a integrar o bloco, aumentando a quantidade de partidas disponíveis para negociação.
“Mais do que o valor absoluto, esse processo mostra que o futebol brasileiro ainda possui enorme potencial de crescimento quando existe organização, governança e estratégia comercial”, conclui Gabriel Lima, administrador do Condomínio Forte União (CFU).
Fonte: MKT Esportivo.



