O cenário financeiro do Corinthians atingiu um patamar crítico ao final de 2025. Dados consolidados até o mês de novembro revelam que a dívida bruta do clube ultrapassou, pela primeira vez na história, a marca de R$ 2,8 bilhões. O agravamento das contas foi impulsionado por um déficit acumulado de R$ 247,8 milhões nos primeiros 11 meses do ano passado.
O balancete, encaminhado recentemente aos conselheiros do Cori (Conselho de Orientação), detalha a composição desse montante bilionário. A Diretoria Financeira calcula a dívida total em R$ 2,812 bilhões, sendo R$ 2,151 bilhões referentes às obrigações do clube (futebol e social) e R$ 661 milhões relativos ao financiamento da Neo Química Arena.
Operação no azul, resultado no vermelho
Um ponto que chama a atenção no desempenho financeiro é o descompasso entre a operação do dia a dia e o resultado final. Entre janeiro e novembro de 2025, o Corinthians apresentou:
- Receitas líquidas: R$ 665,3 milhões
- Despesas líquidas: R$ 715,2 milhões
- Venda de atletas: R$ 89,1 milhões
Embora o resultado operacional tenha ficado positivo em R$ 39,2 milhões, esse fôlego foi totalmente consumido por encargos que não envolvem diretamente a bola rolando. Ao incluir na conta as amortizações, depreciações e despesas financeiras (juros e taxas), o saldo positivo transformou-se no déficit de quase R$ 248 milhões.
Projeção de pior resultado da história
A situação financeira do Timão apresentou uma deterioração acelerada no último trimestre de 2025. Em outubro, o prejuízo acumulado era de R$ 204,2 milhões, saltando para os atuais R$ 247,8 milhões em apenas 30 dias.
Diante dessa trajetória, a própria diretoria já trabalha com uma perspectiva histórica negativa. No orçamento elaborado para 2026, a estimativa é que o fechamento total do ano de 2025 apresente um déficit de R$ 272 milhões. Caso esse número se confirme, será oficialmente o pior resultado financeiro já registrado em toda a história do clube.
Essa projeção atual é significativamente mais grave do que as previsões iniciais da gestão de Osmar Stabile, que ao revisar o orçamento herdado da administração anterior, estimava um prejuízo de “apenas” R$ 83,3 milhões. A realidade dos números, no entanto, forçou a Diretoria Financeira a elevar drasticamente as projeções de perdas, evidenciando o tamanho do desafio administrativo para as próximas temporadas.
Fonte: ge.Globo.



