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Destaques do Summit CBF Academy 2025

O mercado do futebol brasileiro vive um momento de transformação estrutural impulsionado pela consolidação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) e a implementação de mecanismos de fair play financeiro. Alguns debates foram destaques no Summit CBF Academy 2025 e revelaram otimismo com avanços regulatórios, mas também alertas sobre as dívidas acumuladas que ameaçam a viabilidade econômica de muitos clubes nos próximos anos.

O fair play financeiro apresentado pela CBF foi identificado como principal catalisador de investimentos para o futebol brasileiro, principalmente pelo potencial de transformar o esporte em produto mais comercializável. Rafael Furlanetti, diretor institucional da XP Inc., destacou: “Toda vez que a gente evolui, profissionaliza, respeitando o passado, criamos condições para que esse grande espetáculo, que é o futebol brasileiro, de fato seja um entretenimento, um produto que de alguma forma vamos empacotar para o investidor”.

Rubens Menin, fundador da CNN Brasil e do Banco Inter, enfatizou que “o trabalho que a CBF tem feito vai refletir em um ambiente regulatório e em maiores investimentos”, mas alertou que a ausência de gestão eficiente e colaborativa faz com que o capital se afaste. “Um pouco mais de união é importante, principalmente por parte dos clubes”, afirmou.

Porém, a realidade financeira de muitos clubes é preocupante. Alexandre Cordeiro, vice-presidente de relações institucionais do Vasco e ex-presidente do Cade, destacou que o regulamento exige que clubes apresentem três vezes por ano certidões de regularidade fiscal. O próprio Vasco divulgou balanço de 2024 com dívidas acumuladas de R$ 1,2 bilhão, apesar do aumento de receitas em premiação e venda de jogadores.

Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, usou a experiência recente do clube para exemplificar riscos: o rebaixamento em 2024 expôs a fragilidade de modelos dependentes de receitas imediatas. “O rebaixamento mostrou que você precisa ter um projeto estruturado, de médio e longo prazo, senão transforma um sonho em pesadelo”, afirmou. Mesmo assim, Dresch manteve investimentos: “Fechamos o ano passado com R$ 8 milhões gastos na base. Neste ano, vamos chegar a quase R$ 10 milhões”.

O advogado Igor Mauler, que ajudou na elaboração do Fair Play Financeiro, apresentou dados alarmantes: pesquisa entre 34 clubes das Séries A e B mostrou que 68% fecharão o ano no negativo, e 50% projetam encerrar 2025 em situação financeira igual ou pior que 2024. A inadimplência tributária continua sendo o principal problema dos times.

 

Estrutura física e gestão como diferencial competitivo

Investimentos em infraestrutura foram destacados como pilares para o sucesso esportivo e financeiro. Raul Aguirre, CEO da SAF do Bahia, anunciou um novo Centro de Treinamento em Camaçari com investimento de R$ 300 milhões, abrangendo 500 mil metros quadrados com todas as categorias profissionais, feminino e base.

Alcebíades Antunes Júnior (Juninho), vice-presidente de futebol do Mirassol — principal surpresa do Brasileiro em quarto lugar — foi enfático ao defender que a estrutura física deve anteceder contratações de alto custo. “A estrutura nunca é cara. O que é caro no futebol é o jogador que a gente erra. E a gente erra muito”, admitiu, argumentando que desperdício de recursos ocorre na montagem de elencos milionários.

Para Juninho, a gestão rigorosa é diferencial: “O Mirassol não tem uma dívida de imposto, de nada. Paga tudo religiosamente em dia e é um time pequeno. Por que os outros não pagam? É só gerir como uma empresa”.

Formação de atletas foi apontada como essencial para a sustentabilidade econômica. Aguirre ressaltou que a base requer tempo de maturação sem aceleração artificial. Juninho identificou um problema comportamental externo: a interferência familiar prejudica o desenvolvimento de jovens jogadores. “Os pais estão atrapalhando muito os filhos. É uma cobrança horrível”, relatou, citando casos de pais invadindo o CT para cobrança.

Marcelo Teixeira, presidente do Santos, abordou a estratégia de internacionalização da marca. Anunciou que o Santos junto com a NR Sports (empresa de gestão de Neymar) readquiriu a marca Pelé, ressaltando a importância de tratar o legado “não apenas como questão comercial, mas principalmente com maior carinho e relevância”. O clube planeja aproveitar a paralisação da Copa do Mundo para jogos no exterior e intensificar o trabalho de aumento de receitas.

Os dirigentes aprovaram o novo calendário e o Fair Play Financeiro da CBF. Aguirre classificou o modelo como “fluido”, argumentando que organiza um cenário para o cumprimento de compromissos sem travar investimentos de quem deseja aportar recursos.

Danilo Superbi da Silva

Sócio-diretor da DASS Consultoria e da ElevateLaw Marketing Jurídico, Mestre em Negócios Internacionais pela MUST University, MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela Fundação Getúlio Vargas, Administrador pela Universidade Federal de Viçosa e especialista em gestão empresarial.

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