O Corinthians foi notificado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) pelo não pagamento de três parcelas de um acordo firmado em fevereiro deste ano para quitar uma dívida bilionária acumulada ao longo de 20 anos. O Timão cumpriu, inicialmente, com as quatro primeiras prestações, referentes aos meses de fevereiro, março, abril e maio. As parcelas de junho, julho e agosto, porém, não foram pagas dentro do prazo previsto no acordo — e a inadimplência já soma R$ 20,494 milhões.
Procurada, a assessoria de imprensa do Corinthians afirmou que o clube já mantém contato com a Fazenda Nacional para tratar da situação. Segundo o posicionamento, as conversas estão em andamento e a diretoria trabalha para solucionar a pendência o quanto antes.
O acordo que reúne débitos de 20 anos
O acordo firmado em fevereiro reúne pendências de diferentes categorias: aproximadamente R$ 1 bilhão em tributos não previdenciários, cerca de R$ 200 milhões em débitos relacionados à Previdência Social e outros R$ 15 milhões vinculados ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A proposta foi apresentada em 2024 e, após um período de “negociações intensas”, como definiu a PGFN, as partes chegaram a um entendimento que engloba todo o passivo do clube com a União.
Pelo acordo, o Corinthians desembolsará R$ 679 milhões em recursos próprios após obter redução de 46,6% sobre encargos, multas e juros — percentual inferior ao limite máximo previsto na legislação. O pagamento será feito de forma parcelada, com prazo maior para as obrigações não previdenciárias e menor para as previdenciárias, estabelecendo cronogramas específicos para a quitação dos compromissos tributários.
Para as pendências relacionadas ao FGTS, o clube aderiu ao modelo disponibilizado pela Caixa Econômica Federal, que prevê redução superior a 30% do valor devido e parcelamento em até 60 vezes. Já no caso das contribuições sociais previstas na Lei Complementar nº 110, de 2001, ficou definido o pagamento integral em parcela única, com abatimento de 70% sobre os encargos.
Na prática, o atraso das três parcelas se soma a um quadro de aperto financeiro que o clube já enfrenta em outras frentes — com atrasos em pagamentos ao elenco e transfer bans em vigor — e coloca em risco um acordo que representou um alívio para as contas do Timão: os descontos obtidos sobre multas e juros reduziram o valor total a pagar, mas exigem pontualidade para que as condições favoráveis se mantenham. A notificação da PGFN funciona, portanto, como um alerta oficial: se a pendência de R$ 20,494 milhões não for regularizada, o clube pode perder os benefícios conquistados na negociação e voltar a conviver com uma dívida que se arrasta há duas décadas. A diretoria, que afirma estar em conversas com a Fazenda Nacional, agora precisa transformar o diálogo em pagamento para preservar o acordo.
Fonte: Lance.



