O Manchester City foi declarado culpado por infringir as regras do fair play financeiro da Premier League. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (25) de forma extraoficial e divulgada pelos veículos britânicos “The Athletic” e “The Telegraph”: o clube inglês foi considerado culpado em 114 das 115 acusações inicialmente apresentadas pela liga. O caso envolve supostas violações dos regulamentos financeiros da competição — as acusações sobre informações financeiras abrangem principalmente o período entre 2009/10 e 2017/18, enquanto outras infrações apontadas avançam até o período da própria investigação.
O julgamento começou em 16 de setembro de 2024, em Londres, diante de uma comissão independente de três membros. A audiência durou cerca de 12 semanas e terminou com a apresentação dos argumentos finais das partes em 6 de dezembro de 2024. O caso havia começado oficialmente em fevereiro de 2023, quando a Premier League apresentou mais de uma centena de acusações contra o clube, após uma investigação iniciada anos antes — e que teve origem no vazamento de documentos do Manchester City pelo jornal alemão “Der Spiegel”, em 2018. Segundo o “The Telegraph”, a comissão decidiu contra o City nos pontos centrais do processo, que envolvem informações financeiras apresentadas pelo clube, contratos comerciais e pagamentos. As acusações foram divididas em diferentes grupos: fornecimento de informações financeiras consideradas imprecisas; contratos de patrocínio ligados aos proprietários do clube; falta de divulgação completa de pagamentos a jogadores; pagamentos relacionados ao ex-técnico Roberto Mancini, entre 2009 e 2013; descumprimento de regras financeiras e de licenciamento; e falta de cooperação com a investigação da Premier League. Entre os pontos do processo constavam, financeiro da liga entre as temporadas de 2015 e 2017, além de patrocínio dos Emirados Árabes Unidos recebido por fora dos contratos — valores que podem ser considerados “presentes” por parte dos donos e que são vistos como ilegais. O patrocínio máster do clube, da Etihad Airways, é financiado por dinheiro proveniente do país árabe.
Punições possíveis e o caminho do recurso
As sanções ainda não foram definidas pela liga, que também não publicou oficialmente o veredito. Entre as possibilidades previstas no artigo W.51 do livro de regras da Premier League estão advertência, multa, perda de pontos, rebaixamento, expulsão da Premier League e até medidas envolvendo títulos conquistados pelo clube. Uma eventual dedução de pontos pode ser aplicada de forma retroativa — cenário que poderia tirar títulos da equipe no Campeonato Inglês — ou na temporada 2026/27. Como referência de punições semelhantes nos últimos anos, o Everton perdeu dez pontos em 2023, enquanto o Nottingham Forest foi deduzido em quatro no ano seguinte.
O Manchester City deve recorrer da decisão e mantém a posição, manifestada desde fevereiro de 2023, de que as acusações são infundadas. Em nota, o clube afirmou estar “surpreso com a notificação dessas supostas violações das regras da Premier League, especialmente considerando o amplo envolvimento e a grande quantidade de materiais detalhados que foram fornecidos à Premier League”. Em outro comunicado, reforçou que “o clube tem respeitado diligentemente o devido processo há oito anos, partindo do princípio de que o conselho e a diretoria executiva da Premier League atuariam como um órgão regulador independente, imparcial e justo, livre de influências partidárias”.
Não é a primeira vez que o City é punido por quebrar regras financeiras: em 2020, o clube foi banido da Champions League por dois anos, a partir das informações vazadas pelo jornal alemão — punição revertida pelo Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) seis meses depois, com o time sujeito a multa apenas por não cooperar com a investigação. No período em que as violações teriam ocorrido, o Manchester City conquistou três vezes a Premier League, sendo uma delas (2017/18) sob o comando de Pep Guardiola — treinador que, durante as investigações, chegou a afirmar que deixaria o Etihad Stadium caso o clube fosse considerado culpado. Atualmente, o clube lidera a Premier League com 100% de aproveitamento sob o comando de Enzo Maresca após cinco rodadas, com três pontos de vantagem sobre o Arsenal.
Na prática, o veredito abre um dos capítulos mais delicados da história recente do futebol inglês: com o recurso do clube ainda por vir e a definição da punição pendente, a Premier League terá de decidir entre sanções que vão de uma multa até a exclusão de competições — decisões capazes de reescrever não apenas a temporada atual do City, mas também o legado dos títulos conquistados na era Abu Dhabi, iniciada com a compra do clube pelo Abu Dhabi United Group em 2008.
Presidente do Manchester City reage a possível condenação da Premier League
O presidente do clube inglês, Khaldoon Al Mubarak escreveu uma carta à torcida neste sábado (26).
No comunicado, o presidente do City afirma que, assim como os torcedores, também teve que responder diversas mensagens após a notícia divulgada pelo The Athletic de que o clube foi considerado culpado e garantiu que a confiança em provar a inocência da equipe permanece tão forte quanto no início do processo.
Carta do presidente do Manchester City
“Após as notícias de sexta-feira, muitos de vocês devem ter passado a noite respondendo a perguntas e mensagens de amigos, familiares e colegas. Eu também. Eis o que eu disse à minha família: o processo da Premier League ainda tem um longo caminho a percorrer, e nossa confiança e determinação em provar a inocência do clube continuam tão fortes quanto no início de tudo isso.
Há muitas coisas que eu gostaria de compartilhar com vocês para que entendam por que nos sentimos tão confiantes em nossa posição. Mas o sigilo absoluto do processo legal e nossa determinação em respeitá-lo me impedem de fazê-lo neste momento. Mesmo esta carta passou por diversas verificações legais para garantir sua conformidade.
Peço que leiam atentamente a declaração abaixo, que divulgamos na sexta-feira, e a declaração que publicamos em fevereiro de 2023 (também abaixo). Cada palavra importa e é verdadeira.
Embora algumas pessoas tenham se apressado em tirar suas próprias conclusões, e haja muito ruído ao nosso redor, nada mudou. Já enfrentamos desafios juntos antes e os superamos. Ainda existem muitos que querem minar o ímpeto do nosso Clube. Não lhes daremos essa oportunidade.
Temos alguns momentos emocionantes pela frente após esta pausa internacional. Viajaremos para Anfield daqui a duas semanas e, em seguida, receberemos o Paris Saint-Germain na Liga dos Campeões, de volta ao Etihad Stadium – momentos que nos darão a oportunidade de celebrar a força da família Manchester City.
Obrigado, como sempre, pelo seu apoio constante.
Khaldoon Al Mubarak
Presidente
Manchester City Football Club”



