O Conselho Deliberativo do São Paulo vota na sexta-feira (16) o pedido de impeachment do presidente Julio Casares. Para a destituição ser aprovada, é necessário atingir 75% dos votos, o que significa 171 dos 254 conselheiros aptos. Segundo o texto publicado por Rodrigo Capelo (Sport Insider), o desfecho ainda é tratado como incerto, especialmente porque, nas últimas semanas, a base política de apoio ao presidente se enfraqueceu com a saída de grupos que compunham a coalizão.
A crise de imagem da atual administração ganhou força após, em cerca de um mês, virem a público suspeitas de corrupção e outras acusações. Há inquéritos em andamento na Polícia Civil, e o Ministério Público de São Paulo passou a integrar uma força-tarefa, enquanto a imprensa divulga informações tanto de investigações quanto de novos relatos.
As denúncias citadas: camarote no Morumbi, saques em espécie e contrato de limpeza
A primeira denúncia envolve o chamado “caso do camarote”. O episódio foi revelado em 15 de dezembro pelo ge.Globo, com base em áudios anexados a uma disputa judicial entre Rita de Cassia Adriana Prado (intermediária na exploração de um camarote no Morumbi), Douglas Schwartzmann (diretor adjunto da base e aliado de Casares) e Mara Casares (ex-esposa do presidente e, à época, diretora feminina, cultural e de eventos). O ponto central do relato é a cessão do camarote 3A para venda de ingressos de um show da cantora Shakira. A intermediária afirma ter sido lesada por uma empresa de eventos e acionou a Justiça para receber a diferença. Nos áudios, Douglas afirma que a cessão do camarote era feita de forma “clandestina”. Em notas separadas, Mara e Douglas negaram ter recebido dinheiro pela cessão; Mara disse que a cessão foi viabilizada por sua diretoria, mas que não autorizou a revenda, e Douglas afirmou que buscava resolver o conflito para evitar desgaste ao clube.
A partir daí, a Polícia Civil abriu investigação após receber pelos Correios uma denúncia anônima. O delegado Tiago Correia, citado como responsável pelo caso, afirma que o denunciante aponta desvios estruturados e sistemáticos. A polícia diz ter tido acesso às contas do São Paulo e relata 35 saques em espécie entre 2021 e 2025, somando R$ 11 milhões. Os dois primeiros teriam sido feitos por um ex-funcionário, e os demais com apoio de empresa de carros-fortes diretamente na boca do caixa — método que, segundo o delegado, dificulta o rastreio. A investigação também aponta depósitos em dinheiro em uma conta conjunta de Julio e Mara Casares, totalizando R$ 1,5 milhão entre janeiro de 2023 e maio de 2025. O foco agora seria entender se existe ligação entre os saques do clube e esses depósitos. A defesa de Casares, feita pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, sustenta que as movimentações financeiras do presidente têm origem lícita e legítima, compatível com sua capacidade financeira.
A reportagem ainda cita o caso do contrato de limpeza. Segundo o Estadão, o São Paulo tem acordo com a Milclean, empresa ligada a um antigo sócio de Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF. O contrato renderia R$ 6,8 milhões por ano, foi assinado em dezembro de 2024 com data retroativa ao início dos serviços em junho do mesmo ano, e prevê um número mínimo elevado de funcionários — quantitativo que, conforme documentos obtidos, não estaria sendo cumprido. O texto menciona também a relação antiga entre Carneiro Bastos e o dono da empresa, Otávio Alves Corrêa Filho, além de apontar que Carneiro Bastos foi sócio da Milclean até 2021, quando vendeu sua participação por R$ 3,9 milhões. Em nota, a FPF declarou que ele se desvinculou totalmente da empresa e não tem cargo ou remuneração nela; o São Paulo afirmou que a contratação ocorreu via concorrência com sete empresas, com a Milclean apresentando o menor custo, e negou vínculo com o dirigente da federação.
Fonte: Rodrigo Capelo – Sport Insider.



