O Brescia, clube italiano tradicional com 114 anos de história, decretou falência por não conseguir sanar dívida de 3 milhões de euros (aproximadamente R$ 18,5 milhões). O caso revela um contraste gritante: enquanto gigantes do futebol brasileiro acumulam bilhões em dívidas, o clube europeu não resistiu a valor significativamente menor.
O Brescia, fundado em 1911, teve sua falência decretada após não conseguir pagar dívida de 3 milhões de euros. O clube não teve tempo de se transformar em modelo semelhante à SAF (Sociedade Anônima de Futebol) para evitar o colapso financeiro.
A situação do clube já era delicada. Convivendo com dificuldades financeiras, o Brescia foi penalizado por irregularidade nas finanças e perdeu quatro pontos na tabela — punição que selou seu descenso para a terceira divisão italiana.
A última vez que o clube disputou a elite do futebol italiano foi na temporada 2019/20.
Um clube de tradição
O Brescia não é qualquer equipe regional. Ao longo de sua história, o clube impulsionou carreiras de grandes jogadores: Pep Guardiola, Roberto Baggio e Andrea Pirlo passaram pela instituição italiana.
Essa tradição, porém, não foi suficiente para evitar o colapso financeiro. A falência representa fim de um ciclo para torcedores que por décadas acompanharam a equipe.
Diante da devastadora notícia, a prefeitura da cidade ao norte da Itália decidiu intervir. As autoridades convocaram dirigentes dos três clubes locais: Ospitaletto, Lumezzane e FeralpiSalò.
O objetivo é discutir a viabilidade de um novo projeto para o Brescia. Segundo o jornal italiano Gazzetta dello Sport, um acordo com o Grupo Feralpi — empresa fabricante de aço — está quase fechado.
Outros clubes italianos em situação similar
O Brescia não foi o único clube italiano a declarar falência. O Parma, Torino, Napoli e Fiorentina também passaram por situações similares no passado.
O Napoli em 2004: O atual campeão nacional quase foi extinto. A Justiça decretou falência com uma dívida de 70 milhões de euros. A extinção foi evitada com a chegada do produtor cinematográfico Aurélio de Laurentiis, que sanou as dívidas.
A Fiorentina em 2002: Fechou as portas, mudou de nome e se desfez de grandes jogadores para se reconstruir.
Diante desse histórico, a tendência é que o Brescia consiga solução para evitar que sua história seja apagada definitivamente.
Dívidas brasileiras vs. Falência italiana
O caso do Brescia revela um contraste gritante com a realidade do futebol brasileiro. Clubes gigantes do país acumulam dívidas que chegam a bilhões de reais — muito acima dos 18,5 milhões que levaram o Brescia à falência.
Enquanto isso, muitos clubes brasileiros buscam solução através de SAF para evitar um colapso similar. O Brescia não teve essa oportunidade: faliu antes de conseguir efetivar uma transformação do clube em empresa.
Fonte: Correio do Estado.



