O Atlético-MG entrou em uma nova etapa de seu processo de reorganização financeira após receber um aporte de R$ 530 milhões realizado pela família Menin. A maior parte dos recursos será utilizada para reduzir o endividamento bancário da SAF, enquanto uma parcela menor será destinada a compromissos relacionados a investimentos já realizados no futebol.
O planejamento foi detalhado pelo CEO da SAF do Atlético-MG, Pedro Daniel, em entrevista ao CNN Esportes S/A deste domingo (20). O dirigente explicou que a operação tem como um dos principais objetivos diminuir o peso dos juros sobre o caixa do clube e melhorar a capacidade de administrar suas receitas e despesas.
Segundo o executivo, aproximadamente 90% do aporte será direcionado ao pagamento de dívidas bancárias. O restante será utilizado para cobrir investimentos que já foram realizados, incluindo operações relacionadas ao futebol.
A dimensão do problema pode ser observada pelo volume de recursos consumidos apenas pelos juros. O Atlético-MG desembolsou quase R$ 300 milhões com juros bancários no ano passado, valor que, segundo Pedro Daniel, representa um impacto significativo sobre os recursos que poderiam ser utilizados na própria operação do futebol.
Dívidas entram no centro do planejamento da SAF
A estratégia financeira do Atlético não se limita ao novo aporte. De acordo com Pedro Daniel, a SAF também renegociou débitos tributários relacionados ao Profut e estruturou um plano junto à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) para centralizar parte dos compromissos e estabelecer um período de pagamento entre seis e oito anos.
A lógica apresentada pelo executivo é organizar diferentes tipos de passivos e reduzir a pressão imediata sobre o caixa. A dívida bancária recebeu prioridade por envolver custos financeiros elevados, que afetam diretamente os recursos disponíveis para a operação cotidiana.
O aporte de R$ 530 milhões foi aprovado pelo Conselho Deliberativo do Atlético em maio. A operação também provocou mudanças na composição acionária da SAF. Com o aumento de capital, a participação de Rubens e Rafael Menin passou para 83,5%, enquanto a Associação passou a deter 10%. As demais participações foram reduzidas proporcionalmente pela operação.
Arena MRV e o desafio de equilibrar receitas e despesas
Pedro Daniel também relacionou parte do crescimento do endividamento ao projeto da Arena MRV. A construção do estádio representou um investimento relevante para o Atlético, mas também contribuiu para aumentar as obrigações financeiras do clube.
Para o CEO, o desafio da SAF passa justamente pelo equilíbrio entre aquilo que o clube arrecada e aquilo que precisa desembolsar. O custo dos juros bancários é apontado como um dos principais fatores que reduzem os recursos disponíveis para a atividade esportiva.
Com a utilização do novo aporte para reduzir esse tipo de dívida, a expectativa apresentada pelo dirigente é de uma queda significativa nas despesas financeiras. A projeção mencionada é que os gastos com juros neste ano fiquem próximos de R$ 150 milhões, aproximadamente metade do valor desembolsado no ano anterior.
A reorganização, portanto, coloca o controle do endividamento no centro do planejamento da SAF. O cenário apresentado por Pedro Daniel mostra uma SAF concentrada em reduzir o impacto das dívidas sobre o funcionamento do clube, buscando liberar mais recursos para a operação do futebol e organizar os compromissos financeiros em prazos compatíveis com a capacidade de pagamento.
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Fonte: CNN Brasil.



