Carlos Amodeo, CEO da SAF do Vasco, apresentou dados que sustentam a recuperação judicial como medida indispensável diante do cenário financeiro crítico encontrado. O executivo apontou déficit de meio bilhão de reais em curto prazo e desequilíbrio progressivo de caixa como justificativas para adoção do mecanismo, que foi aprovado por 98% dos credores em outubro.
Ao assumir a administração, Amodeo encontrou compromissos não honrados e dívidas acumuladas ao longo de dois anos, incluindo valores de transferências, premiações e contratos com intermediários. A situação foi agravada pela previsão orçamentária para 2025, que contava com aporte de R$ 330 milhões da 777 Partners em setembro — valor que jamais teria sinalização concreta de cumprimento e que efetivamente não ocorreu.
“Mais do que isso, nós tínhamos um orçamento para o ano de 2025 que previa um aporte de capital de 330 milhões de reais em setembro de 2025. Aporte esse que jamais aconteceria, como de fato não aconteceu. Então, nós tínhamos um problema de curtíssimo prazo de meio bilhão de reais”, pontuou Amodeo.
A SAF contratou a consultoria Alvarez & Marsal para levantar dados financeiros e simular cenários. O diagnóstico enviado em setembro de 2024 descrevia curva negativa crescente, indicando que a demanda de caixa para manutenção das operações ultrapassaria a capacidade de pagamento em horizonte curto. O estudo projetava déficit relevante já no primeiro ano, com expansão contínua nos exercícios seguintes, chegando a patamares incompatíveis com receita previsível do clube.
Recuperação judicial como única alternativa viável
A direção da SAF iniciou uma fase de análise de alternativas, passando por renegociações bilaterais, busca de novas fontes de recursos e revisão de processos internos. Conclusão: nenhuma medida isolada seria capaz de conter o risco imediato nem garantir previsibilidade para médio prazo.
Amodeo destacou que, diferentemente de outros clubes que utilizam recuperação judicial para reduzir os passivos, o Vasco adotou mecanismo como estratégia para impedir a insolvência. Antes de formalizar o processo, a SAF estabeleceu mediação conduzida pela Fundação Getulio Vargas, buscando estruturar passivos trabalhistas e preparar entendimentos com credores prioritários.
Ao longo do ano, o Cruzmaltino manteve tratativas visando o alongamento de prazos sem reduções expressivas de valores, evitando disputas judiciais e preservando a confiança dos envolvidos. Em outubro, o Vasco obteve aprovação da recuperação judicial por 98% dos credores.
Agora, o clube aguarda a homologação judicial definitiva, uma etapa que antecede a execução integral do plano aprovado. Amodeo afirmou que a reorganização das dívidas recoloca o clube em posição favorável para receber investimentos e voltar ao caminho competitivo.
“Com isso, a gente encerra essa etapa de reestruturação aguda no clube e passa a olhar para o horizonte do clube com as suas dívidas organizadas, com o fluxo de pagamento das dívidas organizado. Isso torna o Vasco um ativo altamente atrativo para que novos investidores possam olhar para o clube, fazer um investimento e torná-lo sustentável a longo prazo, fazer com que o Vasco retorne com o protagonismo esportivo que foi presente durante muitos anos no passado”, concluiu.
Fonte: MKT Esportivo.



