Diogo Lemos, CEO da SAF do Confiança, detalhou os bastidores da transição para o novo modelo de gestão, incluindo entraves burocráticos e o uso de recursos injetados no clube. Em participação no ZYB Podcast Esporte Clube nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026, ele explicou que a estruturação da Sociedade Anônima do Futebol no Sabino Ribeiro demandou antecipação de receitas para quitar atrasos salariais herdados da gestão anterior da associação.
A documentação da SAF foi finalizada apenas após a estreia no Campeonato Estadual, o que gerou atrasos. “Alguns problemas burocráticos foram retardando e a gente finalizou toda a documentação após a estreia no estadual para jogar como SAF. Isso atrapalhou um pouco, teve um atraso salarial nos últimos meses do ano que ainda era responsabilidade da Associação, que não tinha recurso. Precisamos como SAF adiantar algumas receitas para quitar os salários, mas não foi culpa da Associação. Adiantamos cerca de R$ 800 mil e já terminamos de pagar tudo o que a gente adiantou. Houve um atraso, mas nada que tivesse sido muito relevante”, afirmou Lemos.
Presente em Aracaju desde outubro de 2025, quando o grupo liderado por Rodolfo Landim começou a vislumbrar o projeto de SAF, Lemos foi confirmado como CEO em janeiro de 2026. “Quando o Rodolfo [Landim] começou a vislumbrar a possibilidade do projeto de SAF no Confiança ele conversou comigo algumas vezes. As coisas foram acontecendo, estávamos debatendo e um dia ele me ligou querendo contar comigo logo e estou morando em Aracaju desde outubro”, relembrou.
No aspecto financeiro, o Fundo de Investimento em Participações (FIP) está obrigado a investir R$ 9,6 milhões na SAF ao longo de 2026. O primeiro aporte, de cerca de R$ 5 milhões, já foi recebido: aproximadamente 70% destinou-se ao pagamento de dívidas financeiras de curto prazo, incluindo obrigações da associação em atraso, com planos de refinanciamento para outras pendências. O restante foi aplicado em investimentos na infraestrutura do clube e no aumento da folha salarial.
Lemos projetou receitas de cerca de R$ 14 milhões para 2026, impulsionadas pela valorização da marca, captação de novos patrocínios e parceiros, receitas extras da Copa do Brasil e redução de custos específicos. Esses ajustes marcam os primeiros meses de operação da SAF, com foco em estabilidade financeira e operacional para competições como a Série C e a Copa do Nordeste.
A implementação da SAF representa uma virada para o Confiança, que enfrentou crises anteriores e agora prioriza profissionalização para sustentar ambições esportivas em um calendário exigente. Com a documentação regularizada e finanças em reestruturação, o clube avança na consolidação do modelo, equilibrando pagamentos herdados e investimentos para o futuro imediato.
Fonte: ge.Globo.



