O fantasma da manipulação ligada a apostas segue rondando o futebol carioca, sobretudo entre clubes de menor investimento. Uma pesquisa foi realizada pelo ge.Globo e Raphael Zarko explicou a metodologia. No levantamento anônimo com jogadores da Série A do Campeonato Carioca de 2026, realizado com mais de cem atletas que atuam por times de menor expressão, aponta que 14,6% dos entrevistados afirmaram já ter recebido proposta ou sondagem para interferir em resultados ou lances de jogos.
O número aparece a partir das respostas de 116 atletas, consultados entre oito clubes considerados de menor investimento na competição. Ao todo, 17 jogadores responderam “sim” à pergunta objetiva sobre ter sido abordado para manipulação — o equivalente a quase 15% do universo ouvido.
Um caso sob investigação: alerta de apostas e suspeitos de dois clubes
Além do retrato estatístico, há um caso específico em apuração oficial no futebol do Rio de Janeiro. Está aberto um inquérito no Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD-RJ) e na Polícia Civil, envolvendo uma partida do “quadrangular da morte”, fase que define o rebaixamento no estadual.
A suspeita teve origem em um alerta disparado pela Federação do Rio aos clubes, que apontou movimentações anormais em casas de apostas. Pelo menos dois jogadores, de dois clubes diferentes, são citados como suspeitos. Um deles, segundo a apuração mencionada, foi afastado e já não atua mais por sua equipe.
A investigação está em fase de depoimentos. Alguns já foram colhidos pela Delegacia do Consumidor (DECON), que assumiu os inquéritos relacionados à manipulação de resultados no futebol do estado. O presidente da Ferj, Rubens Lopes, foi um dos convidados a depor.
Até aqui, esse foi apontado como o único alerta de suspeita de manipulação na Série A do Carioca desta temporada.
Sindicato dos atletas vê cenário ainda mais grave nas divisões inferiores
A leitura de quem está ligado diretamente ao cotidiano dos jogadores é de que o problema pode ser maior do que os números revelam. Alfredo Sampaio, presidente da SAFERJ (Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), classificou o tema como um “vírus” e afirmou que muitos podem evitar admitir abordagens por vergonha ou medo.
Ele também ressaltou que, nas divisões inferiores, o ambiente se torna ainda mais difícil de controlar, apontando maior vulnerabilidade em contextos de menor estrutura e menor proteção ao atleta.
Um exemplo de retorno ao futebol após punição
Entre os personagens citados no cenário do Carioca, está o atacante Ygor Catatau, que disputou o estadual e chegou às quartas de final com o Volta Redonda. Ele havia sido suspenso em 2023, quando atuava pelo Sampaio Corrêa na Série B do Brasileirão, mas conseguiu revisão da pena e voltou a jogar no fim do ano passado.
A presença desse caso reforça como a discussão sobre integridade esportiva envolve não apenas investigação e punição, mas também reavaliações e decisões jurídicas que impactam diretamente a carreira de atletas.
Ferj diz que casos estão em queda e lista números por ano
Em nota, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro não comentou o caso específico sob investigação em 2026, mas afirmou que adota medidas de combate à manipulação há anos. Entre as ações citadas, está a contratação de uma empresa internacional de serviços de integridade e o encaminhamento de denúncias — anônimas ou oriundas de relatórios de monitoramento — a diferentes órgãos, como Polícia Civil, Ministério Público, Juizado do Torcedor, STJD, TJD-RJ, e CBF.
A federação também apresentou um histórico com números anuais e declarou que houve queda acentuada: 19 (2022), 7 (2023), 3 (2024) e 2 (2025).
Fonte: ge.Globo.



