A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) promoveu nesta segunda-feira (6 de abril de 2026), em um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, encontro com representantes dos clubes das Séries A e B do Brasileirão. A entidade apresentou um “grande diagnóstico” do futebol brasileiro, comparando-o a ligas estrangeiras em dez tópicos que classificaram o produto nacional como ruim, e abriu espaço para debate sobre a unificação dos dois blocos comerciais em uma única liga, com mediação da CBF.
Segundo o estudo, a liga brasileira está sempre atrás em todos esses pontos abaixo:
- Calendário
- Tempo de jogo
- Estádio – público e segurança
- Estádio – infraestrutura
- Transmissão
- Comunicação e redes sociais
- Marketing
- Êxodo de talentos
- Governança do Regulamento
- Sustentabilidade financeira

O presidente Samir Xaud enfatizou ações prévias como fair play financeiro, ajustes no calendário e profissionalização da arbitragem, essenciais para avançar na pauta da liga. “Sempre deixei muito claro que a nossa única intenção é trabalhar juntos na formação de uma liga forte, em que os protagonistas sejam os clubes”, declarou. Ele posicionou a CBF como mediadora: “A CBF atuaria como mediadora, como responsável pelo futebol brasileiro, e nada mais justo do que fazer isso com união, diálogo e trabalho. O que queremos é construir tudo em conjunto, para que a nossa liga se torne, em breve, uma das três principais do mundo, com um futebol mais forte, transparente e sustentável”.
Dirigentes elogiam iniciativa, mas cobram união e criticam arbitragem
A reunião destacou investimentos de R$ 195 milhões em arbitragem, com treinamento específico iniciando terça-feira (7) e implantação do impedimento semiautomático em estádios classificados em instalação, testes ou prontos. A arbitragem emergiu como principal problema, com queixas como a de Mattheus Montenegro, presidente do Fluminense: “É muito evidente que houve a falta de critério entre o lance do Fluminense e o lance do Palmeiras. […] A gente entra numa rodada disputando o título brasileiro a três pontos do líder e a gente sai da rodada a cinco pontos do líder por conta de dois lances muito parecidos”.
Leila Pereira, presidente do Palmeiras, elogiou a CBF e defendeu o protagonismo dos clubes, criticando posturas individualistas: “Sempre foi muito claro para mim que o Palmeiras precisa estar numa competição valorizada, onde todos os clubes tenham o mesmo peso. […] Nenhum clube é maior do que o futebol brasileiro. A minha sugestão seria nós criarmos uma outra liga excluindo o Flamengo. Acho que o Flamengo deveria jogar sozinho”. Ela aludiu a negociações comerciais, chamando o rival de “Real Madrid da Shopee”.
Pedrinho, presidente do Vasco, questionou a maturidade dos clubes para uma liga: “Os clubes hoje não têm estrutura para fazer uma liga. Por isso que não acredito nela, não temos o companheirismo”. Ele criticou John Textor (Botafogo) por desrespeito e Bap (Flamengo) por arrogância em comentários sobre empréstimo vascaíno com Crefisa: “Ele está colocando em dúvida o meu caráter, o caráter do meu treinador e de um elenco de 30 jogadores”. Pedrinho se disse disposto a ajudar rivais em crise, contrastando com falta de solidariedade anterior.
Avaliação: necessário, mas protocolar
Em resumo, o cronograma indicado é o seguinte:
- Maio a julho de 2026: coleta de sugestões e elaboração de propostas de encaminhamento;
- Agosto a setembro de 2026: apresentação, ajustes e aprovação das propostas;
- Outubro a dezembro de 2026: estruturação das fases – comercialização e estatuto da liga.
Dirigentes viram o movimento como positivo para priorizar a pauta, mas protocolar, sem avanços revolucionários. A CBF corre atrás do prejuízo, com discursos focados em arbitragem, comunicação e contratos, sem discordâncias maiores.
Fonte: ge.Globo.



