A Confederação Brasileira de Futebol apresentou aos clubes uma proposta para padronizar as faixas de horário dos jogos das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. O estudo, que analisou 2.280 partidas disputadas entre 2023 e 2025, diagnosticou uma fragmentação excessiva na distribuição dos jogos ao longo da semana, o que prejudica a previsibilidade para torcedores, detentores de direitos de transmissão e patrocinadores. Os números são expressivos: a Série A registrou 55 combinações distintas de dia e horário em três temporadas, enquanto a Série B alcançou 81 combinações diferentes.
As 12 janelas mais frequentes responderam por 76,9% do calendário da Série A e por apenas 56,1% da Série B — o que significa que quase um quarto dos jogos da primeira divisão e quase metade da segunda divisão estão pulverizados fora das faixas mais consolidadas. Para efeito de comparação, a diferença não está na janela principal em si, mas no que vem depois: enquanto o restante do calendário alemão, por exemplo, se distribui em poucas faixas fixas, o Brasileirão espalha os outros 83% dos jogos em dezenas de combinações distintas. O horário mais frequente no Brasil é domingo às 16h, que responde por 17% do calendário da Série A e concentra a maior média de público, com 33.233 pessoas. No outro extremo, quarta-feira às 19h é a combinação com pior desempenho entre as faixas relevantes, com média de apenas 17.333 pessoas.
Cinco diretrizes e o desafio dos múltiplos detentores de direitos
Com base no diagnóstico, a CBF propõe cinco diretrizes para a nova grade: reduzir a sobreposição entre Série A e B ao longo da semana; revisar a janela das 19h, que performa abaixo da média de forma consistente; evitar jogos após as 20h aos domingos; ampliar o uso da janela das 11h em períodos climaticamente favoráveis, que é mais favorável ao fuso do mercado internacional; e priorizar horários diurnos, especialmente aos fins de semana. A proposta ainda será submetida a consulta com clubes e federações antes de chegar aos detentores de direitos de transmissão.
O principal nó do problema, reconhecido pela própria apresentação da CBF, está justamente nos múltiplos detentores de direitos — Globo, Record, SporTV, Amazon, CazéTV, Premiere e GE —, cada um em busca de faixas de horário exclusivas, o que fragmenta dias e horários. Corrigir a grade significa, na prática, realinhar interesses comerciais que hoje puxam em direções opostas.
Fonte: Estadão.



