A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou um conjunto de propostas estruturais destinadas a reformular a segurança no futebol nacional, com foco na expansão da responsabilidade das agremiações sobre a integridade física de seus atletas e na implementação de medidas rigorosas de combate à violência nos estádios. A iniciativa integra o plano estratégico de valorização das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, pavimentando o caminho para a consolidação de uma futura liga unificada no país.
Pesquisa aponta insegurança como principal barreira para o público
Para fundamentar as ações de segurança, a entidade utilizou um diagnóstico detalhado elaborado pelo Instituto Nexus. O estudo de opinião, que ouviu 2.006 pessoas com idade superior a 16 anos em todas as 27 unidades da federação, revelou dados alarmantes sobre a percepção de segurança nas arenas brasileiras. De acordo com o levantamento, 74% dos entrevistados não consideram os estádios de futebol locais seguros de se frequentar.
A falta de segurança e o medo da violência aparecem como a segunda maior motivação para o afastamento do público geral que não frequenta as arenas, somando 23% das respostas. O impacto é ainda mais severo entre torcedores que costumavam assistir aos jogos presencialmente e abandonaram o hábito: para 35% desse grupo, a violência foi o fator determinante para a desistência definitiva.
Diante desse cenário, a CBF busca replicar as estratégias de pacificação adotadas por grandes ligas europeias, como a Premier League e a LaLiga, que estruturaram ambientes seguros para torcedores e profissionais antes de atingirem o sucesso comercial. Como primeiro passo prático, foi anunciada a criação da Comissão Antiviolência, órgão permanente que será liderado por Mauro Carmélio Neto, presidente da Federação Cearense de Futebol, e por André Mattos, diretor jurídico da CBF. O comitê contará com a participação de dirigentes de clubes, federações, especialistas em segurança pública e representantes do poder público.
Monitoramento tecnológico e novas diretrizes de proteção a jogadores
Entre as principais frentes de atuação prática debatidas pela nova comissão está o aprimoramento do sistema de reconhecimento facial em arenas com capacidade superior a 20 mil espectadores. A tecnologia, que já é obrigatória nesses locais, gerou resultados positivos imediatos na composição do público. Dados apontam que a implementação do sistema elevou em quase 20% a presença de crianças nos estádios, além de registrar um incremento de 8% a 10% na frequência do público feminino. A medida atua diretamente no fator psicológico, inibindo a ação de infratores pela certeza de monitoramento em tempo real. Paralelamente, a CBF passará a acompanhar de perto cerca de 3 mil processos criminais em andamento relacionados ao futebol, com a prerrogativa de se habilitar nos autos para buscar a punição efetiva dos envolvidos em atos de vandalismo e agressões.
Outro ponto central da reforma regulatória diz respeito à segurança dos próprios atletas profissionais, frequentemente expostos a cobranças violentas e ataques de torcidas organizadas. A proposta da CBF visa alterar a legislação vigente, que atualmente restringe a responsabilidade do clube mandante a um raio de cinco quilômetros ao redor do estádio em dias de partida.
Pelo novo texto defendido pela entidade, as agremiações esportivas passarão a responder de forma integral pelo bem-estar e integridade física de seus funcionários em qualquer circunstância em que estejam a serviço do clube. Isso inclui o monitoramento e a proteção em centros de treinamento, hotéis de concentração e durante os trajetos de deslocamento. As regras específicas de transição e as sanções administrativas para os clubes que descumprirem as novas exigências de segurança ainda serão amplamente discutidas entre a CBF e os representantes das equipes.
Fonte: Máquina do Esporte.



