A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está debatendo mudanças significativas no calendário das categorias de base do futebol brasileiro. Segundo apuração do UOL, a entidade avalia criar um novo torneio nacional, o que impactaria diretamente o espaço ocupado pela tradicional Copa São Paulo de Futebol Júnior, a Copinha. Atualmente, a competição — organizada pela Federação Paulista de Futebol (FPF) — domina o calendário de janeiro, ocupando quase todo o mês, com a final sempre no dia 25, aniversário de São Paulo.
Hoje, a CBF apoia a competição e deixa o espaço aberto no calendário da base para que ela aconteça. Mas a discussão na entidade caminha para uma mudança em relação a isso, culminando também com a criação de uma nova competição. A entidade não irá recomendar — e nem tem poderes para isso — o fim do torneio, mas montaria um calendário oficial como se a Copinha não estivesse ali. O efeito seria usar o espaço para outras finalidades: ter um período mais amplo e definido de férias e pré-temporada, espaçar mais a tabela de torneios como o Brasileirão Sub-20 e também acomodar a nova competição de base.
O que se critica e como funcionaria o novo torneio
Os principais argumentos nos bastidores para a mudança envolvem a readequação de datas, com o mês de janeiro garantindo um período mais amplo de férias e pré-temporada. Há também críticas à falta de critério técnico: a Copinha é criticada por adotar um sistema de convites da FPF em vez de critérios puramente esportivos — não há no regulamento da competição uma definição direta sobre participação. Além disso, a participação não é obrigatória, permitindo que grandes clubes fiquem de fora se desejarem, como ocorreu com o Flamengo recentemente.
A proposta que tem sido amadurecida no âmbito do grupo de trabalho sobre a base do futebol brasileiro será encaminhada à CBF e bate na tecla de que é preciso montar uma competição nacional que se espalhe mais pelo país. O modelo prevê classificação por mérito, com vagas distribuídas com base em um ranking atualizado anualmente, levando em conta o desempenho dos times em competições estaduais e nacionais Sub-20, sem a política de convites. Para participar, os clubes precisariam cumprir requisitos de infraestrutura, ter comissão técnica qualificada e possuir o certificado de clube formador. A ideia também é regionalizar as sedes das partidas: enquanto a Copinha concentra seus jogos no estado de São Paulo, o novo torneio da CBF teria sedes espalhadas por todo o país.
O efeito político
Formalmente, o grupo de trabalho da base começou em março e mira ajustes na organização das categorias de formação do país, envolvendo calendário e organização dos torneios. A ideia de impactar a Copinha inicialmente não estava no escopo — e, mesmo na CBF, há o reconhecimento de que a competição é um torneio tradicional e charmoso. Mas a proposta ganhou força na entidade. A medida pode gerar desconforto nos bastidores entre a CBF e a Federação Paulista de Futebol, com quem a entidade nacional tem boas relações, apesar de o presidente Reinaldo Carneiro Bastos não ter apoiado a candidatura de Samir Xaud — episódio que, segundo quem transita pelo campo político, já foi superado.
Samir esteve no evento de lançamento da edição passada da Copinha e chegou a dizer que “todos os meninos do Brasil carregam o sonho” de disputar o torneio “porque a Copinha tem esse espírito democrático de reunir jovens em todos os cantos do país”. O torneio abriu o leque em relação à idade dos jogadores: no regulamento mais recente, pensado para 2026, foi permitida a inscrição de jogadores nascidos de 2005 a 2010, ou seja, até 21 anos. A Federação Paulista usa para a Copinha o slogan de “maior competição de base do planeta”, reunindo 128 clubes e movimentando parceiros comerciais e prefeituras do interior paulista. Até o momento, a FPF não se manifestou oficialmente sobre os estudos da CBF. As discussões nos bastidores, no entanto, podem trazer um novo cenário para a base do futebol brasileiro.
Fonte: Uol; OneFootball.



