A 68ª edição do Campeonato do Distrito Federal começou neste sábado (10/01) sob um cenário inédito: o Candangão 2026 chega com recorde de clubes operando como SAF na Série A. Dos 10 candidatos ao título, cinco já atuam no formato de Sociedade Anônima do Futebol, previsto na Lei nº 14.193/2021: Brasiliense, Capital, Ceilândia, Real Brasília e Samambaia.
O contraste apontado na análise é que, apesar da representatividade do modelo, o campeonato ainda não teve um campeão SAF desde que essas equipes oficializaram a transformação. O caso mais perto disso foi o Capital, que no ano passado ficou com o segundo vice-campeonato consecutivo.
Entre os clubes do Candangão 2026 que se enquadram na SAF, há situações bem diferentes:
- Capital: é SAF desde 2 de fevereiro de 2024 e foi vice nas duas últimas edições. Destaque para o poder de investimento do clube que contou com o técnico Marcelo Cabo na temporada passada, ficando perto do título na decisão contra o Gama.
- Brasiliense: aderiu ao modelo em 27 de fevereiro de 2024. Na prática, o clube já era administrado como “time de dono” desde a fundação, em 1º de agosto de 2000, e busca o 12º título para se aproximar do rival Gama.
- Ceilândia: virou SAF em 24 de dezembro de 2024, meses após conquistar o Candangão de 2024. O clube vive fase de adaptação à governança e de captação de investidores, com o objetivo de subir para a Série C.
- Samambaia: teve documentação aprovada em 15 de maio de 2024. O clube anunciou a contratação do atacante Walter, mas, segundo o texto, o jogador mudou de ideia, não atuou em jogo oficial e se transferiu para o Atlético de Alagoinhas.
- Real Brasília: oficializou a transição para SAF em 27 de junho de 2025, após escapar do rebaixamento, quando terminou a fase de classificação em 8º e se salvou no saldo de gols. Assim como o Brasiliense, o clube já tinha “dono” desde a criação.
O Gama é um símbolo do contraste: mesmo com o Candangão cheio de SAFs, o atual campeão é justamente um clube que virou SAF e a desfez. O Gama foi o primeiro clube do Brasil a se transformar em SAF, em dezembro de 2021, e também o primeiro a rescindir o contrato posteriormente, em 14 de outubro de 2022, por descumprimento dos investimentos previstos.
Além disso, o clube está em recuperação judicial desde setembro de 2024, tentando reorganizar as finanças — e, ainda assim, chega como o detentor da taça, reforçando a ideia de que o novo modelo ainda não converteu presença em hegemonia no DF.
Uma matéria do Correio Braziliense também cita que há uma SAF na segunda divisão: o Brazlândia, que concluiu o processo em 23 de dezembro de 2022 e não joga a primeira divisão desde o rebaixamento em 2013.
Fonte: Correio Braziliense.



