A SAF do Botafogo emitiu uma nota oficial criticando duramente o Lyon após o clube francês divulgar um relatório financeiro apontando uma dívida milionária que cobra do Glorioso. Na manifestação, a diretoria alvinegra acusou os franceses de apresentarem “cobranças fantasiosas” e reiterou que não pretende recuar na recuperação judicial de valores relativos à gestão de John Textor à frente dos dois clubes. O montante reivindicado pelo Botafogo chega a R$ 745 milhões, referente a aportes realizados após a aquisição do Lyon pela Eagle Football Holdings, em 2022.
A nota da SAF critica a postura do Lyon diante do imbróglio financeiro. “Como esperado, o Lyon não adotou uma postura colaborativa visando a resolução do imbróglio de caixa, apresentou cobranças fantasiosas e não reconheceu a dívida existente com a SAF”, diz o comunicado. O documento ainda lembra que o Poder Judiciário já determinou o pagamento imediato de R$ 122,3 milhões, e que há ações judiciais em curso para a reparação integral dos valores. Do lado francês, o Lyon alega que Textor utilizou o clube como fiador de empréstimos obtidos pelo Botafogo e que, por depreciação e amortização, o montante de cerca de € 86 milhões (aproximadamente R$ 496 milhões) não poderá ser recuperado neste momento.
A crise financeira tem se agravado no plano esportivo. O Botafogo sofreu o terceiro transfer ban da Fifa nesta semana, acumulando punições por dívidas nas contratações de Santi Rodríguez, Rwan Cruz e Thiago Almada, ficando impedido de registrar novos jogadores por prazo indeterminado.
Justiça do Rio derruba Tribunal Arbitral e mantém Durcesio no comando às vésperas da Assembleia
O cenário de instabilidade também domina a esfera administrativa do clube. Em uma reviravolta de 24 horas, o juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima, da 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, suspendeu a decisão do Tribunal Arbitral da FGV que, na segunda-feira (11), havia devolvido os direitos políticos à Eagle Bidco e determinado o afastamento de Durcesio Mello. Com a nova decisão, publicada na noite de terça-feira (12), a Eagle perde novamente o poder de voto em qualquer deliberação da SAF, e Durcesio permanece no comando da gestão.
O magistrado também manteve a antecipação dos efeitos da recuperação judicial e garantiu que o Botafogo associativo continue como único acionista com poder de voto válido. Dessa forma, a Assembleia Geral Extraordinária marcada para quinta-feira (14) deverá seguir integralmente as determinações da Justiça estadual, e não o que havia sido definido pelo Tribunal Arbitral. A primeira convocação ocorre às 11h (de Brasília), com segunda chamada prevista para o dia 19 de maio, mantendo a votação sobre a nomeação de Durcesio Mello como ponto central da pauta.



