O Botafogo está oficialmente livre do transfer ban imposto pela FIFA. Nesta sexta-feira (6), o dono da SAF alvinegra, John Textor, confirmou que o aporte financeiro necessário foi realizado e transferido para a Major League Soccer (MLS). Com a confirmação do sistema SWIFT, a entidade máxima do futebol retirou a punição, permitindo que o clube volte a registrar novos jogadores para a temporada de 2026.
O impedimento era fruto de uma dívida de US$ 21 milhões (cerca de R$ 109 milhões) com o Atlanta United, referente à contratação de Thiago Almada em junho de 2024. Além do valor principal, o clube ainda possuía pendências de US$ 9 milhões (R$ 47 milhões) em repasses contratuais por metas atingidas, como os títulos da Libertadores e do Brasileirão de 2024.
Reforços liberados e novas metas
A punição, que se arrastava desde o fim de dezembro de 2025, afetou diretamente o planejamento esportivo. Agora, com a situação regularizada, o Botafogo poderá finalmente inscrever os atletas já contratados: o zagueiro Ythallo; o volante Wallace Davi; e o atacante Lucas Villalba.
Além da regularização do trio, o fim do bloqueio abre caminho para que a diretoria avance rapidamente nas negociações com o volante Cristian Medina, do Estudiantes, e o zagueiro Di Cesare, do Racing. Em recado à torcida, Textor destacou a nova filosofia sob o comando do técnico Anselmi, focada em um sistema de jogo agressivo e ambicioso.
O papel da FIFA e da CAS na resolução
O Atlanta United manifestou-se publicamente agradecendo à FIFA e à Corte Arbitral do Esporte (CAS) pela condução do caso. O clube norte-americano ressaltou que a imposição do transfer ban foi fundamental para assegurar o cumprimento dos termos acordados em 2024, reforçando os padrões de um mercado internacional de transferências sustentável. O acordo final prevê o pagamento do valor total acrescido de juros.
Bastidores: A saída de Thairo Arruda
Apesar da notícia positiva no campo jurídico-esportivo, os bastidores da SAF registraram uma baixa importante. Thairo Arruda deixou o cargo de CEO do Botafogo nesta sexta-feira. A saída ocorre após um período de forte atrito com John Textor, motivado por discordâncias sobre as condições do novo aporte financeiro utilizado para encerrar o transfer ban.
Thairo, que estava à frente do projeto desde o início da era SAF em 2022, foi peça-chave na transição do clube para o modelo de empresa. Em sua despedida, o dirigente reforçou que o projeto é maior do que qualquer indivíduo e pediu que a torcida continue apoiando a instituição. Com sua saída, a tendência é de uma aproximação maior entre Textor e Danilo Caixeiro, atual diretor de gestão do clube.

Veja a íntegra do post de despedida de Thairo:
““Os jogadores vão e vêm…”
Hoje chegou a minha vez de me despedir da estrela mais brilhante do céu, o clube que marcou a minha vida para sempre.
Foram quatro anos intensos, vividos no limite da emoção. Saímos de um começo extremamente difícil, sem estrutura básica para os atletas (chuveiros sem água quente, gelo na caixa d’água, marmita pros atletas… etc), atravessamos retomadas, colapsos, noites sem dormir, decisões duras… Vivemos o melhor ano da história em 2024 e enfrentamos, com coragem, o dramático desafio societário de 2025. Cada fase deixou marcas profundas.
Mas se aprendi algo aqui, é que a Fênix é alvinegra. Cai, sente o golpe, mas sempre se levanta — mais forte. E vai se levantar de novo.
Entreguei a esse clube o melhor de mim. De corpo, alma e coração. Ao longo do caminho, encontrei pessoas que viraram família. Gente que ama esse escudo de forma rara e que continuará lutando todos os dias pelo nosso Fogão.
Levo comigo histórias, aprendizados, cicatrizes e um orgulho imenso. Um dia, talvez eu coloque tudo isso no papel, para contar o que foi viver esse capítulo por dentro.
O projeto segue. O clube é maior do que qualquer pessoa. E a torcida é a alma que move tudo isso. Vocês são a força que empurra, sustenta e faz o clube sobreviver nos momentos mais difíceis.
Por isso, deixo um último pedido, do fundo do coração: continuem. Apoiando e acreditando. Empurrando esse time de guerreiros dentro e fora de campo.
A John Textor: a minha gratidão pelo convite a fazer parte desse projeto
Obrigado, obrigado, obrigado, Botafogo.”



