Prestes a completar um ano como Sociedade Anônima do Futebol (SAF), o Botafogo-PB vive um cenário de forte instabilidade esportiva. A goleada por 4 a 1 sofrida para o Campinense no último sábado (31) foi mais um capítulo de uma sequência marcada por resultados negativos e mudanças frequentes no comando técnico: o treinador Bernardo Franco foi demitido e se tornou o quinto técnico dispensado no período sob a nova gestão.
O número chama atenção não apenas pela quantidade de trocas, mas pela velocidade com que elas acontecem. Em 34 jogos oficiais desde a transformação em SAF, o clube registra uma média de apenas 6,8 partidas por treinador, evidenciando um ciclo curto de trabalho e pouco tempo para consolidação de ideias dentro de campo.
Quem caiu na era SAF e como foram as passagens
A primeira saída relevante no recorte ligado à SAF foi a de João Burse. Ele havia sido contratado no fim de 2024 com anuência dos investidores, mas ainda sob a diretoria comandada pelo presidente Roberto Burity. Burse foi desligado após a perda do título paraibano para o Sousa. Antes mesmo da SAF, ele já somava oito jogos à frente do clube.
O primeiro jogo já sob a gestão da SAF aconteceu em 9 de fevereiro de 2025, em um clássico contra o Campinense: vitória do Belo por 4 a 1, no Almeidão. Na “fase SAF”, Burse comandou o time em nove partidas, com cinco vitórias, três empates e uma derrota, além de 66,6% de aproveitamento. Mesmo com números positivos, não resistiu ao insucesso na final estadual.
Na sequência, a SAF trouxe Antônio Carlos Zago, que vinha do futebol boliviano. A expectativa era alta, mas a passagem foi curta: seis jogos, com uma vitória, dois empates e três derrotas, somando apenas 33,3% de aproveitamento.
Depois, a aposta foi no experiente Márcio Fernandes, que viveu o pior momento da temporada com o clube: em seis partidas, o aproveitamento foi de 22,2%, com apenas uma vitória, e o Botafogo-PB acabou entrando na zona de rebaixamento da Série C.
Com risco real de queda para a Série D, a SAF optou por um nome conhecido do torcedor: Evaristo Piza. Em oito jogos, ele somou quatro vitórias, um empate e uma derrota, e conseguiu livrar o clube do rebaixamento. Apesar de cumprir a meta, não teve contrato renovado para 2026.
O capítulo mais recente foi o de Bernardo Franco, que teve a passagem mais curta entre todas: cinco jogos no Campeonato Paraibano de 2026, com duas vitórias, dois empates e uma derrota — justamente contra o Campinense comandado por Evaristo Piza. Aos 39 anos, ele foi dispensado após a goleada e deixa a vaga aberta para mais uma mudança.
Lisca aparece como favorito para assumir
Com o cargo vago, o nome mais cotado para assumir o comando é Lisca. O Botafogo-PB iniciou negociações e o primeiro contato aconteceu no início da tarde de domingo (1º), quando o investidor da SAF, Fillipe Félix, ligou diretamente para o treinador para apresentar as diretrizes do projeto esportivo. Lisca recebeu bem a conversa, demonstrou interesse e autorizou o avanço das tratativas com seus representantes.
A intenção do clube é fechar com o novo técnico o quanto antes, já que o calendário impõe urgência: na quinta-feira (5), o Botafogo-PB enfrenta o Nacional de Patos, às 20h, no José Cavalcanti, pela 6ª rodada do Estadual. Com oito pontos, o time ocupa a 6ª colocação.
Rotatividade fora das quatro linhas: três executivos demitidos
A instabilidade não se limita ao banco de reservas. Em menos de um ano, três executivos de futebol também foram desligados: Fausto Momente, Felipe Albuquerque e Rodrigo Pastana. Este último foi demitido após a goleada diante do Campinense, saindo junto com Bernardo Franco.
Fonte: ge.Globo.



