O Botafogo associativo protocolou petição na última quarta-feira (25), na 21ª Câmara de Direito Privado do TJ-RJ, solicitando a suspensão da liminar de outubro do ano passado que garante a John Textor o controle da SAF alvinegra. No documento, acessado pela ESPN, o clube social denuncia uma “gestão temerária” na SAF e afirma que o futebol botafoguense se tornou “moeda de troca e barganha” nas negociações de jogadores para outros clubes da Eagle Football Holding, como Lyon (França) e RWDM Brussels (Bélgica).
A petição argumenta que cada parte atribui à outra a responsabilidade pelo rombo financeiro, seja por condutas temerárias, desvio de recursos ou inadimplência. O associativo destaca que as receitas do futebol viraram instrumento em disputas societárias estrangeiras, com risco de novas operações de crédito desvantajosas para mascarar a realidade financeira da SAF.
Falta de transparência e descumprimento de liminar em xeque
O documento reforça o descumprimento da liminar atual, com a SAF omitindo informações cruciais ao associativo. A comunicação da vice-presidência executiva limitou-se a dados gerais sobre transferências e aquisições entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 (preços e pagamentos), silenciando sobre aportes financeiros, venda de ativos, negociações com investidores, despesas extraordinárias e atos de impacto econômico.
“Observe-se que a referida comunicação […] foi absolutamente silente quanto aos demais temas sensíveis”, pontua a petição, contextualizando a falta de transparência para auxiliar o juiz na resolução do conflito.
Justiça extingue processo e remete para Arbitragem da FGV
Na mesma quarta-feira (25), a 2ª Vara Empresarial do TJ-RJ extinguiu o processo iniciado em agosto do ano passado, envolvendo Textor, Eagle, Botafogo social e SAF. O juiz substituto Arthur Eduardo Magalhães Ferreira determinou que a disputa seja resolvida no Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV), método privado com árbitros especialistas para direitos disponíveis.
A extinção mantém todas as decisões prévias válidas até sentença arbitral, incluindo a proibição de venda de ativos (jogadores inclusos), imposta em janeiro. Descumprimentos podem gerar penalidades judiciais. Textor segue como controlador da SAF em meio à briga com Eagle e fundo Ares Management, sem data marcada para a arbitragem.
Após a publicação da matéria, a Diretoria da SAF do Botafogo emitiu nota oficial nesta sexta-feira (27) afirmando que abrirá a porta do escritório para representantes indicados pelos sócios do Glorioso.
Confira a nota da Botafogo SAF:
“A Diretoria da SAF recebeu uma notificação do Clube Social solicitando o compartilhamento de informações e documentos financeiros específicos. Em sinal de transparência, boa-fé e parceria colaborativa, a SAF está abrindo as portas de seu escritório aos representantes a serem indicados pelo associativo e agendou um encontro na próxima semana para apresentação integral da referida documentação pessoalmente.
A SAF destaca que esse compartilhamento de informações é um conteúdo além da documentação que já é compartilhada rotineiramente com o Conselho Fiscal e Conselho de Administração, poderes dos quais o Clube Social já faz parte e possui representantes. Por fim, realça a importância do alinhamento, transparência e responsabilidade no uso de informações confidenciais”
Fonte: ESPN.



