A ala associativa do Botafogo se posicionou formalmente contra o pedido feito por John Textor à Justiça do Rio de Janeiro para bloquear as ações da SAF do clube. O empresário americano alega que a Eagle Football Holdings Bidco, holding que assumiu o controle do futebol alvinegro, teria uma dívida de R$ 150 milhões com ele pela transferência de 90% das ações. Com base nessa suposta pendência, Textor pediu uma liminar para impedir a alienação das ações e evitar que a entrada da GDA Luma como nova investidora do clube se concretizasse.
O Botafogo associativo, que detém 51% das ações da SAF, apresentou ao desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Luiz Eduardo Canabarro, uma contestação sustentando que o empresário americano omitiu documentos que contradizem sua própria tese. O clube social pede que seja autorizado a participar formalmente do processo como parte interessada e que qualquer decisão seja tomada somente após a apresentação de documentos societários públicos. Como principal argumento, o associativo afirma que a dívida citada por Textor é inexistente e que, caso as ações da SAF sejam bloqueadas, isso poderia prejudicar o processo de recuperação judicial, comprometer a entrada de novos investimentos previstos para a próxima semana e dificultar o funcionamento do Botafogo.
Os argumentos jurídicos de cada lado e a espera de quase quatro anos
A tese do Botafogo associativo para rebater o pedido de Textor se apoia em três pontos centrais. Primeiro, o clube sustenta que as demonstrações financeiras auditadas da Eagle Bidco não registram dívida de R$ 150 milhões em favor do americano, e que, como ele próprio era o controlador da holding na época da entrada dos novos investidores, seria dele a responsabilidade de registrar uma eventual pendência contábil. Segundo, a operação que repassou as ações da SAF à holding não se deu por meio de uma compra e venda tradicional, mas sim por capitalização e emissão de participação societária — o que descaracterizaria a cobrança. Terceiro, o clube aponta que Textor esperou quase quatro anos para formular a alegação de inadimplemento, sem qualquer cobrança prévia, notificação ou registro contábil do suposto crédito ao longo de todo esse período.
Para comprovar sua versão, o Botafogo social apresentou ao TJ-RJ documentos de 11 de novembro de 2022 que demonstram como se deu a entrada de capital na Eagle Bidco e a operação entre John Textor e seus ex-sócios, que acabaram assumindo o comando da empresa. O imbróglio judicial ocorre em meio a um momento delicado para o clube, que enfrenta processo de recuperação judicial e depende da chegada de novos investidores para equilibrar as contas. Caso a Justiça acate o pedido de Textor, o bloqueio das ações da SAF poderia inviabilizar a injeção de recursos prevista e comprometer o planejamento financeiro e esportivo do Botafogo.
Fonte: O Globo.



