Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia, detalhou em entrevista recente ao CNN Esportes S/A a jornada para transformar o clube em uma das SAFs mais bem-sucedidas do país. Hoje colhendo frutos com a segunda classificação consecutiva para a Libertadores e presença constante no topo da tabela, o dirigente revelou que a parceria com o Grupo City não foi imediata. Inicialmente, o conglomerado recusou o projeto por estar focado em clubes menores para desenvolvimento de base, mas a insistência da diretoria tricolor, baseada em um controle absoluto de informações, foi o que “virou a chave” para os investidores.
A preparação para esse momento, segundo Bellintani, começou ainda em 2013, com um processo de reorganização que pavimentou o caminho para a profissionalização. Na época da venda, o Bahia possuía uma dívida de aproximadamente R$ 300 milhões — valor considerado alto, porém administrado. Um dos pontos fundamentais do contrato foi a exigência de que o investidor quitasse esse passivo integralmente logo no início do projeto, utilizando recursos próprios do Grupo City, e não do caixa do clube, garantindo um recomeço financeiramente saudável.
Gestão responsável
Diferente de outros modelos que buscam o topo de forma imediata e a qualquer custo, a estratégia do Bahia sob o Grupo City foca na sustentabilidade e no crescimento linear. Bellintani destacou que o objetivo a médio e curto prazo é atingir o equilíbrio financeiro (o “0 a 0” entre receitas e gastos), permitindo que lucros venham de forma orgânica, como na venda de atletas. Ele reforçou que o conglomerado é extremamente rigoroso com parâmetros de mercado e governança, evitando aportes financeiros externos constantes sem uma base sólida.
A filosofia adotada é a de progresso constante: a métrica de sucesso não é apenas ser campeão a cada ano, mas sim garantir que a temporada atual seja superior à anterior. Para Bellintani, a escolha foi por um “projeto” sólido em vez de apenas um “cheque”. O acordo garantiu não só a quitação das dívidas, mas também investimentos em infraestrutura e na formação de um time competitivo, permitindo que o dirigente sinta que o projeto está em boas mãos e caminhando corretamente para o longo prazo.



