O torcedor do Botafogo de Ribeirão Preto parece viver um filme interminável. Todo início de temporada traz esperança, novos discursos, promessas de competitividade e o sonho de finalmente enxergar o clube brigando na parte de cima da tabela. Mas, conforme os jogos passam, a realidade costuma bater da mesma forma: contas apertadas, elenco limitado e a constante preocupação com a zona de rebaixamento da Série B. Novo ano, mesmo filme.
E talvez seja justamente isso que mais machuca o torcedor da pantera. Não é apenas perder jogos. É perceber que, ano após ano, o clube parece entrar nas competições apenas para sobreviver. Fazendo um paralelo, com a onda do momento, um trabalhador que ganha um salário mínimo e trabalha na escala 6×1, apenas sobrevive.
Enquanto outros clubes do interior paulista conseguiram se modernizar, profissionalizar departamentos e criar projetos mais ambiciosos, o Botafogo parece preso em um ciclo perigoso de conformismo. Permanecer na Série B virou quase um “título silencioso”. Escapar da Série C no fim da temporada passou a ser tratado como missão cumprida. Mas até quando isso será suficiente?
O problema é que o futebol mudou. Hoje, paixão e tradição continuam sendo fundamentais, mas já não sustentam um clube sozinhas. Gestão, investimento, inteligência de mercado e estrutura fazem parte do jogo. E o Botafogo, infelizmente, aparenta estar alguns passos atrás nesse novo cenário.
Ribeirão Preto tem força econômica, torcida regional, estádio estruturado e relevância histórica. O potencial existe. O que falta é transformar esse potencial em projeto. É nesse ponto que a SAF começa a entrar no debate de forma inevitável.
Claro que virar SAF não é garantia automática de sucesso. Existem exemplos positivos e outros extremamente preocupantes no futebol brasileiro. O risco de perder identidade, afastar ainda mais o torcedor (que já anda há anos longe do Santa Cruz) ou mesmo cair nas mãos de investidores sem compromisso.
Mas também é difícil imaginar o Botafogo conseguindo dar um salto relevante permanecendo exatamente no mesmo modelo, repetindo as mesmas limitações financeiras e esportivas ano após ano.
Talvez o maior erro não seja virar SAF. Talvez o maior risco seja continuar parado enquanto o futebol evolui ao redor.
Uma SAF séria, transparente e com planejamento poderia representar algo que o torcedor botafoguense não sente há muito tempo: perspectiva. Não apenas esperança emocional de início de campeonato, mas um projeto real de crescimento. Um clube que pense em estrutura, categorias de base, fortalecimento comercial e competitividade esportiva de médio e longo prazo. Do jeito que está, não tem funcionado.
O torcedor não quer luxo europeu. Não quer promessas impossíveis. Ele quer voltar a sentir orgulho de olhar para a tabela sem fazer contas desesperadas contra o rebaixamento.
Porque um clube do tamanho e da tradição do Pantera merece mais do que apenas sobreviver.
Fagner Ramos
Jornalista com experiência em rádio, jornal e revista e assessoria de imprensa. Ao longo da carreira, atuou na Rádio Central de Campinas, Rádio Brasil, afiliada à Jovem Pan e na CBN Campinas, desenvolvendo trabalhos na produção de conteúdo, apuração, redação e cobertura jornalística. Também possui atuação como produtor de programas esportivos, além de comunicação e gestão de conteúdo digital, unindo prática de redação jornalística com estratégia de posicionamento e relacionamento com a imprensa.



