O segundo vice-presidente do São José EC, Agostinho Plaça, garantiu que a assinatura do contrato definitivo entre o clube associativo e a Gros Participações — empresa que gere a SAF — deve acontecer na próxima semana. O acordo marca uma etapa crucial para formalizar as responsabilidades financeiras da SAF.
A transformação do São José EC em SAF iniciou em 2022, quando Agostinho Plaça, então presidente do Conselho Deliberativo, conduziu a alteração do contrato social. Foi firmado um contrato de intenções — etapa inicial e obrigatória — seguido pela transferência da gestão à Gros Participações.
A Gros Participações é uma empresa do Grupo Oscar Calçados, comandada por Bruno Cazarine e Oscar Constantino.
O contrato definitivo deveria ter sido assinado durante a gestão do presidente Celso Monteiro, que faleceu em outubro de 2024. Porém, o acordo não avançou por divergências de cláusulas.
Com a nova mesa diretora empossada nesta quarta-feira (19), as tratativas foram retomadas. A expectativa é a assinatura na próxima semana.
Agostinho Plaça explicou: “Já fizemos o contrato, passamos recentemente para os advogados da SAF, eles já entraram em contato com o nosso advogado, que deve se reunir já na próxima semana, e assim ajustar e definitivamente assinar”.
A assinatura do contrato definitivo é uma obrigação legal. Formaliza que a Gros Participações assumirá o principal compromisso da SAF: pagar as dívidas do clube em até seis anos (prorrogável para dez em casos específicos).
Atualmente, a Gros Participações opera sem essa formalização, o que deixa a SAF em irregularidade segundo Agostinho.

Dívida estimada: R$ 25 Milhões
O passivo estimado do São José EC é de R$ 25 milhões, sendo R$ 8 milhões referentes a IPTU, débitos trabalhistas e dívidas federais.
Agostinho ressaltou que alguns débitos federais podem ser extintos, pois processos são encerrados após cinco anos quando os órgãos responsáveis não tomam providências. Porém, o clube precisaria solicitar formalmente esse encerramento.
Atualmente, apenas 20% das receitas do clube são depositadas na Justiça, conforme acordo firmado em 2017/2018. Esse modelo não atende ao formato de SAF.
Agostinho alertou: “Se continuar assim, o pagamento total da dívida pode levar de 30 a 50 anos, muito além do previsto em contrato”.
A SAF precisa acelerar pagamento da dívida dentro de seis anos, não manter o ritmo antigo.
Receitas insuficientes
O São José EC opera com limitações financeiras. Suas receitas atuais vêm de bilheteria, sócio-torcedor, patrocínios e cotas da Federação Paulista de Futebol.
Porém, isso não sustenta o custo anual de cerca de R$ 10 milhões.
Agostinho explicou: “São cinco elementos que fazem um time se sustentar. Nós (São José) só temos três no momento. E esses três não sustentam o custeio do clube”.
A nova mesa diretora do clube associativo — formada por Adilson José da Silva (presidente), Duarte e Agostinho Plaça (vices-presidentes) — tomou posse nesta quarta-feira (19).
Sua missão é fiscalizar a gestão da Gros Participações pelos próximos três anos (2026, 2027 e 2028).
Além da mesa diretora, 27 novos conselheiros foram empossados para integrar o Conselho Deliberativo.
Fonte: CBN São José dos Campos e Vale.



