Um estudo encomendado pelo Conselho Deliberativo do Internacional à consultoria global Alvarez & Marsal (A&M), obtido com exclusividade pelo Correio do Povo, traça um plano ambicioso de reestruturação financeira para o clube. O documento, produzido ao longo de aproximadamente quatro meses, propõe um caminho dividido em três etapas que vai da recuperação judicial à transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), com a meta de recolocar o Colorado entre os cinco maiores clubes do país até 2035. A estimativa é de que, seguindo o plano, o clube alcance um superávit de R$ 500 milhões ao final do período.
A Alvarez & Marsal, especializada em reestruturação empresarial e governança, foi contratada no fim de 2025 por iniciativa de uma comissão especial criada pelo Conselho Deliberativo. O trabalho foi submetido à análise de um grupo de colorados especialistas em diferentes áreas, além de dirigentes e ex-dirigentes, e deverá ser apresentado aos conselheiros nas próximas semanas. A expectativa é que a reunião ocorra ainda neste mês, quando será distribuída uma versão resumida do relatório. O estudo será debatido no Conselho Deliberativo para avaliar se o clube adotará as recomendações. Embora o Inter tenha eleições no fim do ano, que definirão o sucessor de Alessandro Barcellos na presidência, as primeiras iniciativas deverão ocorrer durante sua gestão.

Três etapas até 2035: da austeridade à SAF
A primeira fase, chamada de “Reestruturação e Austeridade”, vai até o fim de 2027. A principal recomendação é que o Inter ingresse com um pedido de recuperação judicial, mecanismo previsto na legislação que permite a renegociação de dívidas e a reorganização financeira, preservando as atividades da instituição e os direitos dos credores. Como alternativa, a consultoria cita a adesão ao Regime Centralizado de Execuções (RCE), mas considera essa opção menos abrangente e mais arriscada — o instrumento é destinado apenas às SAFs e oferece menos segurança jurídica. A primeira fase também prevê mudanças na governança, com uma reforma estatutária para ampliar a profissionalização da gestão, reduzindo o poder de decisão dos dirigentes eleitos e fortalecendo a atuação dos executivos contratados. A consultoria sugere ainda a ampliação do Conselho de Gestão com a inclusão de dois membros independentes e a adoção de novas práticas de governança corporativa. Segundo os cálculos da A&M, o Inter precisará captar aproximadamente R$ 200 milhões adicionais até o fim de 2027 para honrar minimamente seus compromissos financeiros, mesmo considerando as receitas projetadas para o período.
A segunda fase, “Solução do Endividamento”, está prevista para os anos de 2028 e 2029, com o objetivo de reduzir o passivo e ampliar as fontes de receita. Entre as alternativas sugeridas estão operações envolvendo terrenos do clube em parceria com a Prefeitura de Porto Alegre, a rentabilização dos canais de comunicação, a otimização do relacionamento com os sócios e a exploração da bilheteria. Embora considere que o clube já possa iniciar estudos para uma eventual transformação em SAF nessa etapa, a consultoria recomenda que a operação seja efetivamente realizada apenas na terceira fase.
Batizada de “Crescimento e Potencial”, a última etapa se estende de 2030 a 2035. A avaliação da Alvarez & Marsal é que, até esse momento, o Inter terá reorganizado sua situação financeira e estará em condições significativamente melhores para negociar a transformação em SAF, preservando maior poder de barganha na busca por investidores. De acordo com o relatório, a SAF criaria as condições para uma aceleração do crescimento, proporcionando injeção de capital para investimento em infraestrutura e no futebol. Nesse cenário, o clube voltaria a ter capacidade para ampliar os investimentos no elenco e executar projetos estruturais, como a construção do futuro centro de treinamentos em Guaíba.
Conselheiros pedem divulgação imediata do relatório e submissão prévia de operações financeiras
Fonte: Correio do Povo.



