O sonho de parte significativa da torcida do Esporte Clube Vitória de ver o clube como Sociedade Anônima do Futebol (SAF) sofreu um revés significativo. Em entrevista ao Canal do Dinâmico, o presidente Fábio Mota afirmou que o Leão da Barra não deve adotar o modelo de gestão empresarial nos próximos anos. A declaração põe fim, ao menos por enquanto, a um processo que vinha sendo construído desde 2024, com promessas de campanha, viagens internacionais e o início de um protocolo para reforma estatutária.
De acordo com o mandatário, o principal entrave não é específico do Vitória, mas sim uma crise de confiança generalizada do mercado em relação ao futebol brasileiro. Fábio Mota revelou que percorreu diversos países em busca de interessados, incluindo Inglaterra, Alemanha, Espanha e Estados Unidos, onde esteve na Major League Soccer (MLS). Apesar da mobilização, nenhum investidor apresentou proposta concreta. “Não tem novidade, nem para o Vitória e nem para ninguém. O Vitória está aberto, mas ninguém chegou, ninguém apareceu”, declarou.
Falta de segurança jurídica afasta investidores, segundo presidente
Para Fábio Mota, o problema central que afugenta o capital estrangeiro é a insegurança jurídica que cerca o futebol brasileiro. O presidente citou nominalmente dois casos emblemáticos que, em sua avaliação, queimaram a credibilidade do país perante o mercado internacional: os problemas envolvendo a 777 Partners no Vasco e a gestão de John Textor no Botafogo. “Eles não acreditam. Não tem segurança jurídica. Os exemplos da 777 no Vasco e de John Textor no Botafogo botou todo mundo para correr”, afirmou.
A avaliação do dirigente é pessimista não apenas para o Vitória, mas para todo o ecossistema esportivo nacional. Segundo ele, não existe projeto de investimento estruturado para nenhum clube que busca a transformação em SAF no Brasil neste momento. A declaração representa um balde de água fria na expectativa da nação rubro-negra, que acompanhava desde 2024 as movimentações do clube em direção ao modelo empresarial, incluindo protocolos administrativos e viagens internacionais que, até o momento, não resultaram em nenhum avanço concreto para tirar o projeto do papel.



