A diretoria do Futebol Forte União (FFU) convocou uma Assembleia Geral extraordinária para o próximo dia 9 de julho, em um movimento estratégico para conter a recente instabilidade entre seus membros. O encontro, agendado para as 14h30 na sede da Federação Paulista de Futebol, em São Paulo, ocorre em resposta direta à medida preventiva do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A decisão do órgão federal proibiu a investidora Sports Media de criar obstáculos para clubes que desejem se desligar do bloco comercial, o que gerou um alerta sobre a segurança jurídica dos contratos vigentes.
A reunião contará com a participação e o direito de voto dos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, que compõem os colégios eleitorais do grupo. O edital de convocação, assinado pelo diretor-presidente Alessandro Barcellos, estabelece uma pauta focada na sobrevivência do bloco e na revisão de sua estrutura administrativa. Um dos pontos centrais será a definição da estratégia jurídica contra a liminar do Cade, baseada em um parecer técnico que aponta riscos competitivos relevantes para as agremiações associadas ao Condomínio Forte União.
Reformulação de regras e busca por autonomia financeira
O futuro da parceria com a Sports Media Entertainment é o tema de maior tensão na pauta. Os clubes devem deliberar sobre uma proposta de aperfeiçoamento das regras do Condomínio, que será apresentada e discutida formalmente com a investidora. Essa movimentação foi impulsionada por notificações extrajudiciais enviadas por equipes como Cruzeiro, Botafogo, Goiás e Operário-PR, que manifestaram descontentamento com as normas internas que limitam a liberdade de negociação e saída do bloco.
A insatisfação de parte dos dirigentes reside no modelo de gestão que, segundo relatos de bastidores, estaria restringindo a autonomia financeira das instituições. O debate central envolve os contratos de cessão de direitos comerciais e de mídia, que possuem validade de 50 anos. O modelo atual permitiu que a Sports Media assumisse a exclusividade nas decisões sobre com quem os clubes podem negociar suas propriedades, além de deter uma porcentagem das principais receitas em troca de adiantamentos financeiros que, em muitos casos, já foram utilizados pelas equipes sem gerar mudanças estruturais profundas.
Negociação de liga unificada e possibilidade de saída
Outro pilar fundamental da assembleia será a criação de uma comissão de negociação dedicada a discutir modelos para uma liga unificada de futebol no Brasil. O objetivo é estabelecer um canal de diálogo com clubes que não integram o FFU e com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), buscando uma organização mais coesa para o esporte nacional. Ao mesmo tempo, os associados discutirão mecanismos para tornar a gestão administrativa e financeira da associação mais eficiente e independente da influência direta dos investidores.
O caso do Operário-PR serve como um exemplo prático das tensões atuais. Após a decisão do Cade, o clube paranaense comunicou oficialmente sua intenção de deixar o grupo e solicitou à Sports Media o cálculo para a recompra dos direitos que haviam sido cedidos. Essa busca por uma gestão mais autônoma sinaliza que o modelo de negócios projetado para durar décadas enfrenta um momento crítico, onde a necessidade de soberania dos clubes sobre suas próprias finanças e decisões comerciais pode levar a uma reestruturação completa ou até à ruptura dos acordos firmados anteriormente.
Fonte: Máquina do Esporte.



