O deputado federal Luciano Amaral (PSD-AL) apresentou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) de Brasília solicitando a abertura de uma investigação contra o CEO da Sports Media Entertainment, Bruno Pimenta, e o proprietário da Life Capital Partners, Carlos Gamboa. A medida foi motivada pelo conteúdo de um e-mail enviado por Pimenta a dirigentes de clubes integrantes do Futebol Forte União (FFU), no qual o executivo comenta os desdobramentos de uma decisão liminar do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A decisão em questão foi proferida na última sexta-feira pelo então superintendente-geral do Cade, Alexandre Barreto, e proibiu a investidora de criar barreiras para clubes que desejarem deixar o bloco comercial. A medida atendeu a uma solicitação do CSA e desencadeou uma série de reações. Botafogo, Cruzeiro, Goiás e Operário-PR solicitaram desfiliação — os três primeiros com a possibilidade de permanência caso o grupo aceite reformular suas regras conforme a nota técnica do órgão antitruste. O Figueirense acionou a Justiça de São Paulo para também deixar o condomínio, enquanto o Corinthians cobrou explicações da direção e cogitou não mais negociar com o grupo.
A mensagem que gerou a suspeita de interferência
O conteúdo do e-mail enviado por Bruno Pimenta foi divulgado inicialmente pelo portal Metrópoles e obtido pela Máquina do Esporte. Na mensagem, o executivo afirma que a equipe jurídica da Sports Media “já está em contato com os conselheiros da autarquia” que irão analisar o caso, e alega que eles também teriam sido “pegos de surpresa pela decisão” do ex-superintendente. Pimenta ainda declarou acreditar que “muito em breve a decisão será revista” e anexou a nota oficial da empresa, na qual a medida preventiva é classificada como “sem efeitos práticos relevantes”.

Na representação encaminhada ao MPF, o deputado sustenta que a mensagem compromete a credibilidade dos conselheiros do Cade ao insinuar uma proximidade indevida entre o executivo e os agentes públicos responsáveis pela análise do caso. O parlamentar argumenta que a afirmação de que o jurídico da empresa já estaria em contato com os conselheiros, combinada com a previsão de que a decisão seria revista, poderia configurar uma tentativa de influenciar o julgamento. A apuração, segundo a denúncia, deve verificar se a mensagem buscava induzir os clubes a permanecer no bloco, preservando a vantagem econômica da empresa em razão da suposta influência alegada sobre os órgãos de controle.
A decisão do Cade também motivou o Amazonas a questionar na Justiça uma emissão de debêntures de R$ 950 milhões realizada pela Opea Securitizadora em julho do ano passado. Os títulos são lastreados em debêntures emitidas pela Sports Media e têm como garantia os direitos de arena dos clubes do Condomínio Forte União. A medida preventiva do órgão antitruste foi um dos argumentos utilizados pelo clube na ação judicial. Procurada para se manifestar, a Sports Media não enviou posicionamento até o fechamento da apuração da Máquina do Esporte.
Fonte: Metrópoles; Máquina do Esporte.



