A presidente da associação do Coritiba, Marianna Libano, abriu o jogo sobre os bastidores da gestão do clube em entrevista exclusiva ao ge.Globo. A dirigente, que tomou posse no início de 2025, traçou um panorama sincero sobre o relacionamento com a Treecorp, grupo que assumiu o controle da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) alviverde em 2023. Libano admitiu que o início da convivência entre as duas instituições foi marcado por ruídos de comunicação e falta de alinhamento estratégico, mas garantiu que o cenário atual é de cooperação e maturidade administrativa.
Segundo a presidente, quando a associação assumiu a gestão atual, não havia qualquer iniciativa de colaboração com a SAF por parte da administração anterior. Ela apontou que os representantes do grupo investidor enfrentaram dificuldades naturais para compreender a dinâmica de funcionamento de um clube de futebol, especialmente no que diz respeito à necessidade de uma comunicação direta e transparente com a torcida e com a imprensa. O período inicial foi descrito como uma fase de maturação e aprendizado institucional.
Relação comparada à criação de um filho e a busca por um novo CEO
Marianna Libano destacou que, ao longo do último ano e meio, a relação entre a associação e a SAF foi sendo construída de forma progressiva. Ela comparou a gestão conjunta do clube ao cuidado com um filho, enfatizando que, apesar de opiniões divergentes ocasionais, o objetivo comum de proteger e desenvolver o Coritiba prevalece sobre qualquer diferença.
“É uma construção, foi uma luta para conseguir chegar nesse tipo de relacionamento. Inclusive, estava trocando ideias com uma pessoa da SAF e ele falou uma coisa muito certa. Desde a primeira reunião, a gente tem tratado o Coritiba como um filho que temos juntos e precisamos cuidar da melhor forma possível. Cada um pode ter uma opinião, mas pelo bem do nosso filho, a gente precisa ser muito responsável, ter uma comunicação respeitosa, para que o projeto do nosso filho funcione.” – ressaltou Marianna.
Um dos pontos sensíveis abordados na entrevista foi a vacância do cargo de CEO da SAF. Desde a saída de Lucas de Paula, em abril, a posição permanece sem ocupante. Ele foi o terceiro profissional a passar pela função, sucedendo Gabriel Lima e Carlos Amodeo. Libano reconheceu que a alta rotatividade de interlocutores impactou negativamente o dia a dia do clube, tornando os processos mais lentos e dificultando a continuidade de projetos de longo prazo. A presidente revelou que a definição do perfil ideal para o cargo está sendo tratada com calma, priorizando a escolha de um executivo alinhado às necessidades específicas do projeto alviverde.
Planos para o futuro e a sucessão na presidência
O mandato de Marianna Libano na presidência da associação do Coritiba se estende até dezembro de 2027, e ela está apta a concorrer à reeleição. No entanto, a dirigente afastou essa possibilidade no momento, indicando que sua visão atual é de não dar continuidade ao cargo. Ela afirmou que seu objetivo principal é entregar a associação em condições melhores do que encontrou, com as portas abertas e uma relação institucional sólida com a SAF.
A presidente destacou que sua missão é fortalecer a associação não apenas do ponto de vista financeiro, mas também em prestígio e capacidade de diálogo. A expectativa é que, ao final de sua gestão, a SAF compreenda plenamente que não precisa temer a interlocução com o lado associativo do clube, consolidando uma parceria madura e produtiva para o futuro do Coritiba.
Fonte: ge.Globo.



