O Villa Nova, em meio ao seu processo de reestruturação institucional após a transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), estabeleceu a construção de um estádio próprio como uma de suas metas prioritárias. O projeto, liderado pelo Boston City Group — detentor de 90% das ações do clube —, prevê a edificação de uma arena moderna em Nova Lima, com capacidade mínima para 15 mil torcedores. A iniciativa é vista pela gestão como um passo fundamental para sustentar as ambições do Leão do Bonfim de retornar e se consolidar nas divisões nacionais do futebol brasileiro.
A necessidade de uma nova praça esportiva justifica-se pela busca do cumprimento dos padrões de infraestrutura exigidos pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Atualmente, para disputar competições como a Copa do Brasil ou o Campeonato Brasileiro, o clube precisaria recorrer a estádios de Belo Horizonte, como o Independência, cenário que a SAF pretende evitar. O objetivo é criar um equipamento que funcione como uma arena multiuso, capaz de sediar simultaneamente eventos corporativos, convenções e shows, além das partidas de futebol, garantindo uma fonte de receita diversificada para a instituição.
Infraestrutura, custos e localização estratégica
“A questão dos valores depende muito do tipo de projeto, das questões técnicas. Depende do nível de tecnologia aplicado. Temos que ter cuidado para chegar neste número, mas, falando de forma geral, penso que seria algo na casa de R$ 300 milhões”, afirmou Sérgio Pinheiro para a reportagem de O Tempo. Localizado estrategicamente em Nova Lima, em uma região próxima à rodovia para facilitar o acesso, o estádio poderá servir também como alternativa para clubes da capital em jogos com menor expectativa de público. Em termos de cronograma, a gestão estima que, uma vez garantido o aporte financeiro, a construção possa ser concluída em um período de dois anos e meio.
A viabilização da nova arena levanta questões sobre o futuro do tradicional Estádio Castor Cifuentes, o “Alçapão do Bonfim”. Por ser um equipamento público gerido pela prefeitura, o destino do local deverá ser discutido com o poder público municipal após a inauguração da nova casa. Diferente de outros processos de modernização, o Castor Cifuentes não será convertido em centro de treinamentos, uma vez que o Boston City Group já disponibiliza um CT moderno para atender tanto o elenco profissional quanto as categorias de base do Villa Nova.
Desafios da reconstrução e o cenário esportivo atual
A projeção do novo estádio ocorre em um momento de profunda reformulação interna. O Villa Nova busca se reerguer após o rebaixamento no Campeonato Mineiro do ano passado, quando somou apenas quatro pontos na fase de grupos. Além do desafio técnico, a SAF assumiu o clube com uma dívida acumulada de aproximadamente R$ 13 milhões e com as categorias de base inativas por quase uma década. A chegada do novo grupo gestor possibilitou a retomada imediata da formação de atletas e a reformulação completa do departamento de futebol profissional.
Sob o comando técnico de Marcos Valadares, o foco imediato do clube é o retorno à elite do futebol estadual, enquanto a diretoria trabalha nos bastidores para viabilizar os recursos da nova arena. A SAF é encarada como a principal via para sanear as finanças e devolver ao Villa Nova o protagonismo no cenário mineiro. Com a integração entre o investimento em infraestrutura e a profissionalização dos processos esportivos, o clube espera transformar o planejamento de médio prazo em resultados concretos dentro de campo.
Fonte: O Tempo.



