Como sempre, no Brasil, a Copa do Mundo de Futebol, torna-se um evento controverso, com viés político incontrolável, com não confirmadas suspeitas de corrupção e com final muito infeliz.
Desde a importação de técnicos, desmerecendo o talento dos ótimos profissionais brasileiros e erodindo ainda um pouco mais as finanças de uma confederação de atuação sempre polêmica. Finanças que, a propósito, se questiona se são, muitas vezes, corretamente empregadas.
E a nossa seleção acaba copiando o modelo mal sucedido da gestão dos clubes do nosso esporte principal. Muita política, muito marketing, muito espetáculo midiático e nenhuma eficácia.
A partir do processo de escolha dos atletas convocados, tudo parece pouco técnico e muito improvisado… de fato ou por opção.
Neste ano, um típico “chá revelação” dos convocados, foi um desnecessário espetáculo de plástica irretocável, de proporções monumentais, mas de momentos quase patéticos. A falta de justificativa técnica dos critérios de escolha dos convocados foi muito evidenciada e jogada na cara dos sempre fanáticos torcedores do nosso país.
E o quase final de novela, quando da tão esperada incorporação de um pretenso idolo nacional à equipe, ocorreu algo indescritível. Houve gritos, aplausos, vaias, risos compulsivos choros copiosos e dancinhas pós-gols, em uma apoteose totalmente histérica na plateia.
O nosso treinador internacional parecia pouco à vontade, no papel de animador de um programa de domingo das nossas desgastadas emissoras de televisão. A propósito, um treinador que chegou ao Brasil sério e bem comportado, mas que foi, muito rapidamente, se integrando ao jeito brasileiro de fazer as coisas e até virou garoto propaganda, meio sem jeito, de marca de cerveja, em parceria com outro herói nacional das chuteiras, hoje transvestido de apresentador, comentarista, promotor de jogos de azar e com direito ao show da sua vida, na televisão. Parece mesmo que o apelo financeiro, muito atrativo, motiva comportamentos impensáveis.
A seleção nacional, aparentemente bem treinada, tem um marketing exuberante, interferências políticas notáveis, fofocas de bastidores e credibilidade discutível. E tudo isso, associado a uma gestão bastante imcompetente.
Mas tomara que a nossa seleção canarinha realmente ganhe a copa e não volte para casa cedo demais.
Para não frustrar, mais uma vez, uma população muito sofrida, de um país meio sem rumo. E não jogar no lixo todo o investimento dos patrocinadores oficiais e dos intrometidos patrocinadores marginais.
E, quem sabe, calar a boca dos especialistas de plantão, comentaristas com chuteiras de salto alto e dos semi-entendidos de futebol.
Que Deus nos ajude nessa tarefa meio impossível de trazer o caneco de volta, ainda que seja para ser de novo roubado, derretido e vendido, grama por grama, por algum torcedor mal intencionado.



