Após garantir o retorno à primeira divisão do futebol estadual, o Paraná Clube ingressa em uma fase crucial de sua reestruturação institucional. O vice-campeonato na Segunda Divisão, consolidado no último sábado, marcou o fim de um ciclo esportivo e o início de uma complexa operação nos bastidores. O foco central da diretoria agora é a concretização da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), projeto considerado vital para a sustentabilidade financeira e a competitividade da equipe nas próximas temporadas.
A viabilização desse novo modelo empresarial depende, no entanto, de avanços burocráticos imediatos. O departamento jurídico e a diretoria trabalham contra o tempo para obter a Certidão Positiva com Efeitos de Negativa da Fazenda Nacional. Este documento é o último entrave para a regularidade fiscal plena da instituição e é uma exigência para que a Justiça homologue o plano de Recuperação Judicial, já aprovado pelos credores. Para destravar essa certidão, o clube precisa formalizar uma transação tributária com a União e quitar uma parcela inicial estimada em R$ 3 milhões.
Articulação política e o papel do grupo investidor
O aporte financeiro necessário para o pagamento dos débitos fiscais deve vir da NextPlay, grupo que manifestou interesse direto em assumir o controle da SAF paranista. A relação entre o clube e os potenciais investidores passa por um momento de definições estratégicas. Entre os dias 8 e 15 de junho, o Conselho Deliberativo realizará reuniões para avaliar os termos da parceria e os próximos passos da operação. A expectativa interna é de que haja um consenso político, uma vez que a ausência de um aval dos conselheiros pode sinalizar falta de interesse institucional, levando o grupo investidor a retirar a proposta da mesa.
Caso a documentação fiscal seja aprovada e o plano de recuperação homologado, a juíza responsável pelo caso poderá dar início ao processo competitivo de venda judicial. Essa etapa incluirá não apenas a transferência das ações da SAF, mas também a negociação da sede da Kennedy. Todo esse movimento é visto como a única via para que o Paraná Clube consiga liquidar seus passivos históricos e inicie o ciclo de 2027 com uma estrutura de capital renovada e capaz de suportar os investimentos exigidos pela elite do futebol.
Continuidade técnica e gestão de ativos no futebol
Enquanto os trâmites administrativos avançam, o departamento de futebol já desenhou o planejamento para o segundo semestre de 2026 e para o ano seguinte. A prioridade é a manutenção da base técnica que conquistou o acesso. O técnico Tcheco, figura central no projeto esportivo e com contrato vigente até meados de 2027, permanece no comando. A campanha invicta na divisão de acesso, apesar do revés na final, é utilizada como prova de que o equilíbrio entre defesa e ataque estabelecido pela atual comissão técnica é o caminho para o futuro.

Para manter o elenco em atividade, o clube estuda a disputa da Taça FPF no segundo semestre, competição que oferece vagas em torneios nacionais. A estratégia para os atletas com contratos próximos do fim envolve a renovação de vínculos longos seguida de empréstimos para outras equipes, garantindo que os jogadores cheguem em ritmo de jogo para o estadual de 2027. Além disso, o Paraná pretende exercer o direito de compra do zagueiro Thiago Dombroski, que se destacou durante o empréstimo junto ao futebol polonês, embora essa operação financeira também esteja condicionada ao sucesso da homologação da SAF.
Fonte: ge,Globo.



